“A memória e a história serão muito importantes”: historiadores reforçam importância de votar e conhecer candidatos no segundo turno

Especialistas defendem que eleitor compareça às urnas, pesquise propostas, trajetória política, alianças e planos de governo antes de decidir

WSCOM transmite apuração e contagem de votos das Eleições 2026 em tempo real
(Foto: Reprodução)

Com a definição do segundo turno das eleições presidenciais, o eleitor brasileiro entra em uma nova etapa de decisão. Diferentemente do primeiro turno, quando havia mais opções na disputa, agora a escolha está concentrada entre dois candidatos. Para historiadores ouvidos pelo WSCOM, o momento exige participação, reflexão e pesquisa sobre quem está sendo escolhido para ocupar a Presidência da República pelos próximos quatro anos.

O segundo turno ocorre quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos na primeira votação. Nessa etapa, disputam os dois candidatos mais votados, e vence aquele que obtiver a maioria dos votos válidos. Nas Eleições 2026, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.

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Para a historiadora Loyvia Almeida, o eleitor não deve enxergar o voto apenas como uma escolha para os próximos quatro anos. 

“Quando a gente vota num candidato a presidente, nós estamos escolhendo essa pessoa para nos representar dentro de quatro anos. Porém, os efeitos do que podem acontecer nesses quatro anos podem ser sentidos pelos próximos cinco, pelos próximos dez ou até mesmo 20, 30 anos”, afirmou ela.

Na avaliação da historiadora, essa perspectiva torna necessário conhecer os projetos apresentados e identificar de que maneira eles podem interferir na vida da população.

“É muito importante que as pessoas tenham essa compreensão, que direitos são conquistados, que existem propostas que são mais aliadas ao pensamento do trabalhador, existem propostas que são mais aliadas ao pensamento do empresariado, ao pensamento religioso”, ressaltou.

Conhecer o candidato vai além das redes sociais

O professor Emílio Pinto de Figueiredo Júnior, mestre em Ensino de História, destaca que o segundo turno cria uma nova oportunidade para o eleitor analisar os candidatos.  “É importante que quem já exerceu o voto no primeiro turno compareça novamente, mesmo que aquele candidato não esteja, porque ele vai ter um peso decisivo no futuro da nação”, informou ele.

Emílio também alerta para a necessidade de não transformar as redes sociais na única fonte de informação durante a campanha. “É muito importante que a pessoa vá atrás da proposta ideológica do partido, para ver se aquilo se enquadra como visão de mundo que aquela pessoa quer para o futuro”, destacou.

O professor recomenda ainda que o eleitor consulte os planos de governo, conheça a trajetória dos candidatos e observe o que foi realizado em administrações anteriores por eles e pelos grupos políticos que os apoiam.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os planos de governo dos dois candidatos que disputam o segundo turno das Eleições 2026, além de informações eleitorais e dados de prestação de contas das candidaturas.

Voto não termina na urna

A historiadora Cinthia Raquel de França Rodrigues defende que o segundo turno deve ser encarado como um período de análise mais aprofundada. “A influência de um eleitor entre primeiro e segundo turno é fazer com que haja um exame mais detalhado, haja uma análise mais profunda dessas propostas”, explicou ela.

Cinthia afirma que o eleitor deve observar questões que ultrapassem o discurso eleitoral e investigar a quem determinado projeto político pode beneficiar.

“A gente não pode analisar só a superfície, né? Esse projeto de governo vai servir a quem? Ao trabalhador, ao capital financeiro, ao agronegócio? Quem financia esse projeto de governo? Como é a proposta econômica?”, acrescentou.

Para a historiadora, também devem entrar na avaliação temas como direitos humanos, igualdade racial e de gênero, direitos dos povos originários, políticas sociais, meio ambiente, economia e possíveis mudanças na estrutura do Estado.

História e memória também entram na escolha

Além das propostas, os especialistas apontam a importância de conhecer a trajetória política dos candidatos e dos grupos que os acompanham.

“A memória e a história serão muito importantes, porque não são candidatos que surgem do nada, e sim candidatos que já têm ligação histórica com a própria governabilidade presidencial do país”, afirmou Emílio.

Para ele, o eleitor deve utilizar a história como instrumento de análise, observando experiências anteriores antes de tomar uma decisão.

Loyvia segue na mesma direção ao defender que a população avalie quais projetos apresentam uma visão de longo prazo. “A gente precisa criar a consciência de projetos políticos a longo prazo, não apenas a cada quatro anos quando acontecem as eleições”, reiteirou ela.

Abstenção também tem impacto na eleição

Outro ponto levantado pelos historiadores é a importância de comparecer às urnas. 

“O não comparecimento do eleitor normalmente atinge periferia, população vulnerável, classe trabalhadora que não consegue liberação para votar. Então, aqueles que têm mais barreiras econômicas acabam tendo barreiras logísticas para votar”, acrescentou Cinthia.

Para Loyvia, mesmo o eleitor que não se identifica completamente com nenhum dos dois candidatos precisa refletir sobre as consequências de não participar da decisão. “A própria neutralidade é um posicionamento”, afirmou ela.

A historiadora ressalta, porém, que a decisão deve partir de uma análise sobre os projetos colocados em disputa e sobre o tipo de sociedade que o eleitor considera desejável.

Eleitor pode pesquisar antes de decidir

Os especialistas ouvidos pelo WSCOM apontam alguns caminhos para quem ainda está avaliando o voto: conhecer a trajetória dos candidatos, ler os planos de governo, verificar alianças políticas, observar quem integra suas bases de apoio e pesquisar medidas adotadas anteriormente pelos grupos que representam.

Cinthia também chama atenção para a composição do Congresso Nacional, já definida no primeiro turno, uma vez que a relação entre Executivo e Legislativo influencia a capacidade de implementação de políticas públicas.

“É necessário que a população brasileira tome parte na política, debata política, sinta e viva o que é política. Porque a política é muito maior do que qualquer partido”, ressaltou ela.

Nas Eleições 2026, o TSE estabelece o segundo turno para 25 de outubro, das 8h às 17h, no horário de Brasília.

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