A possível composição de um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) deverá priorizar nomes com perfil técnico e político, deixando em segundo plano figuras identificadas principalmente com posições consideradas radicais. A sinalização tem sido transmitida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, a dirigentes de partidos do Centrão e da direita.
As informações foram divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo os relatos, a estratégia busca reforçar a imagem de Flávio como um candidato com perfil mais moderado em comparação ao do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A avaliação entre aliados é de que a indicação de ministros fortemente associados à ala ideológica do bolsonarismo poderia contrariar essa estratégia e dificultar a construção de uma base política mais ampla no Congresso Nacional.
Estratégia mira aproximação com o Centrão
A preocupação também leva em consideração a experiência do início do governo de Jair Bolsonaro, em 2019. Na ocasião, o então presidente escolheu para ministérios importantes nomes ligados diretamente à sua base ideológica, como Ernesto Araújo, para o Ministério das Relações Exteriores, e Abraham Weintraub, para a Educação.
A presença desses ministros contribuiu para ampliar as divergências entre o governo e partidos do Centrão durante a primeira fase da gestão. Posteriormente, o governo Bolsonaro ampliou a aproximação com essas legendas diante das dificuldades para formar uma base de apoio no Congresso.
No caso de Flávio, a intenção seria evitar a repetição desse cenário e construir, desde o início, uma composição capaz de dialogar com diferentes setores políticos.
Apenas um ministro foi anunciado
Até o momento, Flávio Bolsonaro confirmou somente um nome para uma eventual equipe ministerial. O médico Cláudio Lottenberg foi escolhido para comandar o Ministério da Saúde caso o candidato seja eleito.
Os demais cargos, segundo aliados, ainda não estão definidos. A formação do primeiro escalão dependerá, naturalmente, do resultado do segundo turno da eleição presidencial.
Mesmo sem confirmações oficiais, alguns nomes já são discutidos nos bastidores para áreas consideradas estratégicas.
Para o Ministério da Segurança Pública, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece entre as possibilidades avaliadas pelos aliados.
Na Fazenda, são citados o executivo Marcelo Kayath e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto. Para Minas e Energia, o economista Adriano Pires, que participou da campanha, também é apontado como possível integrante de um futuro governo.
Na Agricultura, estão entre os nomes mencionados o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) e o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União).
A definição de eventuais ministros, contudo, só deverá avançar após o resultado das urnas e dependerá das negociações políticas para a formação de uma base de sustentação do eventual governo.
