Celebrado amanhã, 22 de setembro, o Dia Mundial sem Carro chama atenção para os impactos do uso excessivo dos automóveis e propõe uma reflexão sobre os hábitos de deslocamento nas cidades. Em João Pessoa, onde motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres compartilham diariamente as mesmas vias, o comportamento de cada usuário também interfere na fluidez, na convivência e na segurança do trânsito.
Para Valéria Nicolau, professora de Psicologia da Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), integrante do maior e mais inovador ecossistema de qualidade do Brasil: o Ecossistema Ânima, a conduta no trânsito é influenciada por fatores que vão além do conhecimento das leis. Pressa, ansiedade, irritação, sensação de impunidade, excesso de confiança e dificuldade de considerar o outro podem levar motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres a assumir riscos ou desrespeitar regras de convivência.
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“O trânsito é um espaço coletivo, mas muitas vezes as pessoas se comportam como se precisassem defender apenas o próprio interesse. Quando a pressa ou a irritação faz alguém ultrapassar um limite, fechar outro veículo ou ignorar uma faixa de pedestres, aquela decisão individual passa a afetar toda a dinâmica ao redor. Mobilidade também é uma questão de convivência e responsabilidade com o outro”, explica.
A relação entre os diferentes usuários é especialmente importante em situações que exigem atenção e negociação constante. Motoristas precisam respeitar a distância e a preferência de ciclistas e pedestres; motociclistas, por sua maior vulnerabilidade, precisam redobrar os cuidados; ciclistas devem sinalizar seus deslocamentos e respeitar as normas; e pedestres também precisam utilizar os espaços destinados à travessia com atenção.
Na prática, pequenos conflitos podem se transformar em situações de risco quando prevalecem a disputa por espaço e a percepção de que “cada um cuida de si”. Para a especialista, a convivência no trânsito exige uma mudança dessa perspectiva, com a compreensão de que o deslocamento não pode ser pensado de forma isolada. “Desenvolver empatia é também uma forma de prevenção”, destaca.
Mobilidade também é uma questão de escolha
A discussão não se limita à maneira como as pessoas conduzem ou circulam pela cidade. A própria escolha do meio de transporte interfere na dinâmica urbana. O uso frequente do automóvel individual, por exemplo, ocupa mais espaço viário, aumenta as emissões de gases de efeito estufa e contribui para uma lógica de deslocamento que nem sempre considera alternativas como transporte coletivo, bicicleta ou caminhada.
É nesse contexto que o Dia Mundial sem Carro amplia a discussão. A data propõe uma reflexão sobre o uso excessivo dos automóveis e incentiva a experimentação de formas alternativas e mais sustentáveis de deslocamento.
“Não se trata de dizer que todos precisam abandonar o carro ou que existe uma única maneira correta de se deslocar. A proposta é refletir sobre nossos hábitos e perceber que nossas escolhas individuais têm consequências coletivas. Quando uma cidade consegue estimular diferentes formas de mobilidade e, ao mesmo tempo, fortalecer uma cultura de respeito, ela se torna mais humana e segura para todos”, conclui a psicóloga.

