A segurança hídrica proporcionada pelas águas do Rio São Francisco tem sido fundamental para assegurar o abastecimento de Campina Grande e viabilizar a realização do Maior São João do Mundo. Antes ameaçada pela escassez de água, a Rainha da Borborema viu sua realidade mudar após a chegada do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), que garantiu a recuperação do Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, e consolidou uma nova fase de desenvolvimento para a Paraíba.
As águas do Rio São Francisco têm desempenhado papel fundamental na garantia do abastecimento de Campina Grande, especialmente durante o período junino, quando a cidade recebe milhares de visitantes para o Maior São João do Mundo.
Em 2017, às vésperas dos festejos, Campina Grande enfrentava uma das piores crises hídricas de sua história. O Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, principal manancial responsável pelo abastecimento da região, chegou a menos de 3% da capacidade. A chegada das águas do Projeto de Integração do Rio São Francisco mudou esse cenário e permitiu a recuperação do reservatório.
“Como engenheiro e servidor público, é uma sensação de dever cumprido implantar um projeto que hoje fornece água para mais de 800 mil nordestinos nessas duas grandes cidades, que são símbolos e potências da região. Como nordestino, tem uma conotação ainda maior: o Projeto de Integração do Rio São Francisco está ajudando a preservar a cultura através das duas maiores festas juninas que nós temos no Nordeste”, comenta Bruno Cravo, diretor do Departamento de Projetos Estratégicos do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). “Além da segurança hídrica, é uma questão de preservação cultural e de incentivo à economia da região”, destacou.
Na Paraíba, as águas chegam por meio do Eixo Leste do PISF. O percurso começa no Lago de Itaparica, em Pernambuco, segue por canais, túneis, aquedutos e estações de bombeamento até alcançar Monteiro, primeira cidade paraibana a receber as águas da transposição.
A partir de Monteiro, a água percorre o leito do Rio Paraíba, reforçando reservatórios como São José, Poções e Camalaú, até chegar ao Açude Epitácio Pessoa, em Boqueirão, de onde é distribuída para Campina Grande e diversos municípios da região.
Segundo o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa), Porfírio Loureiro, a obra representou uma transformação na realidade hídrica do estado.
“A importância das águas do São Francisco para a Paraíba é vital para a nossa segurança hídrica e para o desenvolvimento de todo o estado. No Eixo Leste, a entrada das águas por Monteiro garantiu segurança hídrica para Campina Grande, cidade que realiza o Maior São João do Mundo. A liberação das Águas no Portal Monteiro foi dia 10 de março de 2017, e a chegada ao Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) foi no dia 18 de abril de 2017. Se não tivessem chegado as águas do PISF provavelmente não haveria o Maior São João do Mundo”, afirma.
Criado para ampliar a segurança hídrica do Nordeste, o Projeto de Integração do Rio São Francisco é considerado a maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil. Com 477 quilômetros de extensão nos eixos Norte e Leste, o empreendimento beneficia mais de 12 milhões de pessoas em cerca de 390 municípios de Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.
Além de garantir o abastecimento humano em regiões historicamente afetadas pela escassez de água, o projeto fortalece atividades econômicas, impulsiona o desenvolvimento regional e contribui para a preservação de tradições culturais que movimentam cidades inteiras.
Durante o período junino, quando Campina Grande se transforma em um dos principais destinos turísticos do país, as águas do Velho Chico seguem cumprindo um papel essencial para assegurar o abastecimento da população, atender à demanda gerada pelo aumento do fluxo de visitantes e garantir a realização de uma das maiores manifestações culturais do Nordeste.

