BRASIL 247 – O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma organização internacional de promoção dos direitos de jornalistas, condenou na sexta-feira (29) o assédio contra jornalistas do site The Intercept Brasil em relação às reportagens do veículo sobre a relação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o banqueiro do Banco Master Daniel Vorcaro.
“Silenciar reportagens críticas — e tentar transformar em bodes expiatórios os jornalistas por trás delas — não substitui a responsabilização”, disse Cristina Zahar, coordenadora do programa para a América Latina do CPJ. “A conduta da família Bolsonaro, cujos membros são atuais e ex-agentes públicos, é uma questão de interesse público e eles devem ser responsabilizados”, acrescentou.
O CPJ cita o pedido do deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela abertura de uma investigação criminal contra o Intercept.
A organização também cita que Steven Monacelli, jornalista freelancer baseado em Dallas, nos EUA, afirmou que também enfrentou ameaças e assédio online depois de tentar obter um comentário de Eduardo Bolsonaro, outro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro que atualmente reside no Texas, e, segundo relatos do Intercept, mora em uma mansão de luxo avaliada em R$ 6 milhões. O site também expôs sua influência sobre os contratos e o controle de verbas milionárias destinadas a um filme sobre a família Bolsonaro, o que gerou forte repercussão
“Cerca de duas horas [depois que toquei a campainha da casa de Bolsonaro], vi meu rosto espalhado por todas as redes sociais da direita brasileira”, disse Monacelli ao CPJ.
O CPJ entrou em contato com a polícia local dos EUA, que se recusou a comentar o incidente.
“Houve um esforço coordenado para desacreditar a investigação, envolvendo acusações infundadas, falsas ligações entre jornalismo e crime organizado, distorções das reportagens e a mobilização de contas e páginas pró-Bolsonaro para espalhar desinformação”, disse Andrew Fishman, presidente do Intercept Brasil, ao CPJ.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e a Federação Nacional dos Jornalistas publicaram notas repudiando o assédio de Flávio Bolsonaro contra o Intercept Brasil.
