João Pessoa será sede, nesta terça-feira (10), de um debate sobre a segurança no exercício da Medicina e o enfrentamento à violência em unidades de saúde. Promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em parceria com o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), o evento “Segurança no Exercício da Medicina” será realizado das 8h30 às 12h, na sede do CRM-PB, reunindo autoridades, gestores públicos e representantes das entidades médicas para discutir soluções e iniciativas voltadas à proteção dos profissionais de saúde.
A realização do encontro ocorre em um cenário preocupante. Levantamento do CFM aponta que, somente em 2024, foram registrados mais de 4,5 mil boletins de ocorrência nas delegacias de Polícia Civil dos estados e do Distrito Federal por crimes praticados dentro de unidades de saúde, como ameaça, injúria, desacato, lesão corporal, difamação e furto. Os números revelam que, a cada duas horas, um profissional de saúde sofre algum tipo de violência em seu local de trabalho, totalizando cerca de 12 agressões por dia.
Na Paraíba, pesquisas realizadas pelo CRM-PB e pelo Sindicato dos Médicos da Paraíba (Simed-PB) reforçam a gravidade da situação. Estudo do Conselho, que ouviu 611 médicos em 2025 sobre saúde mental, identificou que 80,4% dos entrevistados já sofreram violência verbal durante o exercício profissional. Os dados também apontam que 9,5% foram vítimas de violência física, 62,2% de violência moral, 5,2% de violência sexual e 37,2% relataram situações de discriminação.
Outro levantamento, realizado pelo Simed-PB em setembro de 2025, mostrou que 90% dos médicos pediatras que atuam nas quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de João Pessoa afirmam sentir-se inseguros em seus ambientes de trabalho.
Diante desse contexto, o evento em João Pessoa se propõe a discutir medidas concretas de prevenção e enfrentamento à violência, com a participação de diretores do CFM e do CRM-PB, além de representantes da Prefeitura de João Pessoa, do Governo do Estado, do Ministério Público, médicos e lideranças das entidades médicas.
Entre os temas centrais da programação está a Resolução CFM nº 2.444/25, publicada em setembro do ano passado e que entra em vigor em março deste ano. A normativa estabelece diretrizes de segurança para unidades de saúde, como controle de acesso, videomonitoramento em áreas comuns, instalação de botão de pânico, entre outras medidas. A resolução também determina que diretores técnicos notifiquem agressões sofridas por médicos ao CRM, às autoridades policiais e ao Ministério Público.
O presidente do CRM-PB, Bruno Leandro de Souza, destaca que a violência não pode ser naturalizada nem direcionada aos profissionais.
“Quando a violência chega ao médico, ela já atingiu outros trabalhadores da área, como maqueiros, recepcionistas e técnicos de enfermagem. A violência contra qualquer pessoa é inadmissível. A população precisa apoiar o seu médico, fazer dele um aliado e não o responsabilizar pelas falhas no atendimento”, afirmou.
Relator da Resolução e conselheiro federal pelo Rio de Janeiro, Raphael Câmara Medeiros Parente estará no evento em João Pessoa e reforça o caráter institucional da medida. “A dignidade do exercício do médico deve ser resguardada como de interesse público. É inadmissível que profissionais dedicados à preservação da saúde e da vida humana atuem sob ameaça constante, sem qualquer garantia de proteção ou amparo institucional. A Resolução CFM 2.444/25 é um marco ético e normativo necessário, com foco em restaurar o mínimo de segurança e respeito à missão médica”, declarou.
Serviço
Segurança no Exercício da Medicina
10/02/2026 – terça-feira
8h30 às 12h
Sede do CRM-PB em João Pessoa (Av. Dom Pedro II, 1335, Torre)