A rede pública de saúde na Paraíba começa a receber 13,9 mil canetas de insulina glargina para substituir o uso da insulina humana (NPH) em grupos específicos. O quantitativo será dividido entre a capital, João Pessoa, com 3 mil unidades, e a Secretaria Estadual de Saúde, que redistribuirá 10,9 mil canetas aos demais municípios. A previsão é que a mudança beneficie cerca de 12 mil pacientes paraibanos nesta etapa inicial.
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A transição prioriza crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1, além de idosos a partir de 80 anos com diabetes tipo 1 ou 2. Além da Paraíba, o projeto-piloto do Ministério da Saúde ocorre no Amapá, Paraná e Distrito Federal, alcançando um total de 50 mil pessoas. Diferente da NPH, a glargina possui ação prolongada de até 24 horas e exige apenas uma aplicação diária para a manutenção dos níveis de glicose.
O novo protocolo é fruto de parcerias para o desenvolvimento tecnológico entre o laboratório Bio-Manguinhos (Fiocruz), a brasileira Biomm e a chinesa Gan & Lee. Segundo o Ministério da Saúde, a estratégia visa a transferência de tecnologia para que o Brasil retome a produção nacional do insumo. Até o fim de 2026, a capacidade de produção deve atingir 36 milhões de tubetes para abastecer o sistema público. Paralelamente, outra cooperação com a farmacêutica indiana Wockhardt e a Fundação Ezequiel Dias (Funed) foca na fabricação de insulinas NPH e regular.
A implementação nos estados ocorre de forma gradual e depende de avaliação clínica individual. No dia 30 de janeiro, profissionais de saúde da Paraíba passaram por capacitação técnica para gerenciar a mudança no tratamento. Financeiramente, a oferta gratuita pelo SUS substitui um custo que pode chegar a R$ 250 na rede privada para um período de dois meses. A iniciativa foi formatada por um grupo de trabalho criado no final de 2025 para mitigar a escassez global do medicamento e atualizar os métodos de insulinoterapia no país.