Campina Grande sedia, até esta quarta-feira (4), a penúltima etapa regional da temporada de robótica FIRST® AGE. O torneio, inspirado no universo da arqueologia, é a 33ª competição realizada no país nesta temporada e coloca a Paraíba no centro do cenário tecnológico nacional.
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Mais de 200 competidores, distribuídos em 29 equipes, participam das modalidades FIRST® LEGO League Challenge (FLLC), FIRST® Tech Challenge (FTC) e STEM Racing, em busca de vagas classificatórias para a etapa nacional, que acontecerá em São Paulo no próximo mês.
Na abertura do evento, o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB), Cassiano Pereira destacou a importância de o estado realizar pela primeira vez a competição. “Abrimos as portas da federação para realizar esse evento tão marcante para a educação e para o estado, porque vocês são o futuro do país”.
Com o tema arqueologia, o estado da Paraíba representa muito bem os mistérios do passado da humanidade. No território paraibano, mais de 149 sítios arqueológicos estão cadastrados no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), muitos deles com áreas de pesquisa ativas.
Única escola pública da competição
A equipe Vulcanos, da Escola Municipal Maria Tâmara Souza do Nascimento, é a única representante de uma instituição pública no torneio. O grupo viajou mais de 180 km para participar, pela primeira vez, de uma competição de robótica.
Vindos de Maturéia, pequena cidade do sertão da Paraíba com cerca de 7 mil habitantes, os estudantes têm muito o que ensinar aos visitantes que passam pelo seu pit (estande). Isso porque o município abriga vestígios de povos ancestrais, como pinturas rupestres e formações geológicas que ajudam a contar a história da região.
Para compartilhar um pouco desse legado, os alunos produziram dois artefatos: uma moringa de argila, confeccionada por roceiras da própria cidade, e uma rocha. Ambos emitem sons locais do Casarão do Jabre e do Sítio Arqueológico da Pedra dos Caboclos, respectivamente.
“O sítio é bem antigo e um ponto turístico bastante visitado. Já o Casarão foi moradia de uma das primeiras famílias que chegaram a Maturéia. É uma sensação muito boa participar da competição e conseguir trazer um pouco da nossa cidade para cá”, conta David Samuel Soares, de 12 anos.
A cidade com pegadas de dinossauros
Durante os rounds, a equipe Robossauros Master, do SESI José de Paiva Gadelha, é anunciada como “a equipe da cidade com pegadas de dinossauros”. Trata-se do município de Sousa, também localizado no sertão paraibano.
“Na nossa cidade tem o Vale dos Dinossauros, onde foram encontradas várias pegadas. Então decidimos homenagear esse marco com o nome da equipe”, explica Thalita dos Santos, de 14 anos.
A jovem se refere ao Monumento Natural Vale dos Dinossauros, unidade de conservação do estado, onde foram registrados cerca de 80 espécies e um fóssil.
“Ficamos animados quando descobrimos o tema. Foi uma coincidência muito boa ver um assunto tão importante ligado à história da nossa região”, destaca.
A Robossauros tem times nas modalidades da FTC e FRC. Inclusive, a equipe de FRC, única na modalidade da Paraíba, não disputa partidas nesta etapa do torneio, mas está presente no evento realizando uma exposição do seu robô, permitindo que o público conheça de perto a tecnologia desenvolvida pelo time.
O torneio também recebe a embaixadora da temporada, Conceição Lage, doutora em arqueologia, antropologia e etnologia. Presente desde a abertura da temporada, ela afirma que novas perspectivas se abriram para a área a partir da robótica.
“Fiquei surpresa e impressionada com os projetos de inovação desenvolvidos a partir das ideias das crianças. O torneio me abriu os olhos para esse universo e reforçou a certeza de que precisamos muito delas. São as crianças que podem melhorar a nossa vida, o nosso trabalho e a arqueologia”, declara a doutora.
A competição segue até amanhã (4), com partidas de todas as modalidades e o anúncio das equipes que avançarão para a etapa nacional, em São Paulo, no próximo mês.