Adotado na infância, francês retorna à Paraíba para reencontrar suas raízes

Criado por uma família francesa após ser adotado ainda bebê, o francês Pierre Marie Sandonato, de 38 anos, desembarcou na Paraíba movido por um objetivo que atravessou décadas: encontrar sua mãe biológica e compreender suas origens. Nascido em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa, ele retorna ao Brasil pela primeira vez guiado pela esperança de preencher lacunas deixadas pela adoção e reconstruir sua identidade.

A busca ganhou força após o nascimento de sua filha, hoje com dois anos. “Faço isso por mim e por ela. Queremos saber de onde viemos, quem é nossa família natural”, afirmou Pierre. Casado e empresário no ramo de produtos orgânicos no Sul da França, ele conta que conhece muito pouco sobre seu nascimento e nada sobre a mãe biológica.

Segundo relatos registrados à época, Pierre foi abandonado ainda recém-nascido na porta da casa de um casal em Cabedelo, que o acolheu antes do processo de adoção internacional. Atualmente, ele integra o Projeto Origem, iniciativa da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), vinculada à Corregedoria-Geral do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), que assegura o direito à identidade e à origem biológica de pessoas adotadas.

Na manhã desta terça-feira (2), Pierre esteve no Hemocentro de João Pessoa, onde realizou a coleta de material genético para exame de DNA. A iniciativa busca possibilitar o cruzamento de informações genéticas caso familiares biológicos também se submetam ao teste. “Também fiz exames na Europa, que já me deram algumas pistas”, relatou, mencionando o apoio da Associação Terra dos Homens, que atua na França e no Brasil.

Durante a visita ao Hemocentro, Pierre esteve acompanhado da tradutora e professora de francês Sandra Paiva, da coordenadora da Ceja Ana Cananéa, da psicóloga Ana Francisca Paraguai e da assistente social Ana Dilza Maria Paiva, representante da Terra dos Homens.

De acordo com Ana Cananéa, o Projeto Origem atua no levantamento e cruzamento de dados em registros civis, processos judiciais e bancos oficiais, oferecendo um acompanhamento humanizado. “O projeto reafirma o compromisso do TJPB com a dignidade humana, a cidadania e os direitos fundamentais”, destacou.

A psicóloga Ana Francisca explicou que o desejo de Pierre de encontrar suas raízes surgiu com a paternidade. “Ele quer contar à filha a história de onde veio. A psicologia atua oferecendo suporte emocional durante todo esse processo”, afirmou.

Pierre chegou à Paraíba na última segunda-feira (26) e aproveitou os primeiros dias para revisitar Cabedelo, local onde nasceu. Encantado com a cidade, ele afirmou estar emocionado com o reencontro simbólico com sua terra natal. “Saí daqui bebê e agora quero saber de onde vim”, disse.

Segundo a bioquímica do Hemocentro de João Pessoa, Jussara Torres Lacerda, o material genético ficará armazenado até que haja coleta de DNA de um possível familiar. O prazo para emissão do laudo, após o confronto genético, varia entre 30 e 60 dias e o procedimento ocorre exclusivamente por via judicial.

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