A trajetória internacional de Cristiana Mascarenhas não enfraqueceu seu relacionamento com o solo paraibano, mas sim ajudou a construir uma ponte de solidariedade. Atuando como madrinha da organização Pisada do Sertão, a designer demonstra que a filantropia contemporânea ignora barreiras físicas e se define pelo compromisso de mudar vidas, mantendo o coração e os investimentos sociais focados no Sertão.
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Morando atualmente nos Estados Unidos, Cristiana conta que o desejo de contribuir com o Brasil surgiu da saudade de casa e da necessidade de se manter próxima, mesmo à distância. Foi nesse contexto que conheceu a BrazilFoundation, uma das maiores organizações filantrópicas dedicadas a apoiar iniciativas sociais no Brasil a partir do exterior. Fundada em 2000, a instituição atua como ponte entre doadores internacionais e projetos sociais brasileiros, fortalecendo organizações que promovem educação, cultura, direitos humanos e desenvolvimento comunitário. Para Cristiana, a BrazilFoundation foi o caminho encontrado para transformar esse sentimento de pertencimento em ação concreta. “É um longe que está perto”, define.
O incentivo à filantropia, no entanto, não surgiu apenas da vivência no exterior. Ele também tem raízes familiares. Cristiana cresceu acompanhando o trabalho social desenvolvido pela mãe, que mantinha uma associação voltada à valorização do artesanato e ao apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade. “Desde pequena, vi minha mãe ajudando outras pessoas, e isso sempre foi algo natural para mim”, relata. Esse exemplo foi determinante para que o compromisso social se tornasse parte de sua trajetória pessoal.
A aproximação com a Pisada do Sertão aconteceu de forma quase espontânea. A partir da indicação de um colega, Mauricio Morato, que trabalhava na Gerando Falcões na missão de conseguir apoiadores para ONGs brasileiras. Cristiana buscava uma organização para apoiar e fez uma pergunta simples, mas reveladora: qual região precisava mais de ajuda naquele momento? A resposta veio acompanhada da apresentação da ONG, que atua no Alto Sertão paraibano com projetos voltados ao desenvolvimento social, cultural e humano das comunidades locais. “Quando conheci a Pisada, senti uma conexão imediata”, afirma.
Mais do que atuar em ações pontuais, a Pisada do Sertão se destaca por seu compromisso em fortalecer o vínculo da população com o território, combatendo a imagem historicamente associada à seca e à escassez. A ONG trabalha para apresentar o Sertão como um espaço de oportunidades, onde é possível crescer, empreender e se desenvolver sem precisar deixar o próprio lar. A proposta é transformar realidades a partir de dentro, valorizando saberes locais, cultura, educação e autonomia econômica.
Há cerca de quatro anos, Cristiana decidiu conhecer de perto esse trabalho. Passou dois dias no Alto Sertão da Paraíba, visitando comunidades atendidas pela Pisada e acompanhando o impacto das ações desenvolvidas. “Fui sem saber praticamente nada, mas a surpresa foi extremamente positiva. Foi uma experiência muito verdadeira em todos os sentidos”, relembra. Seis meses depois, levou também outros membros da família, ampliando o círculo de apoio à instituição.
Mesmo vivendo fora do país, ela destaca que a distância nunca foi um impedimento para continuar participando ativamente da vida da ONG. Para Cristiana, a tecnologia é uma grande aliada nesse processo. Ela conta que mantém contato constante com Ana Neiry, fundadora da Pisada do Sertão, com quem construiu uma relação de proximidade e confiança. “Ana é uma pessoa incrível, extremamente empenhada, esforçada e determinada a trazer um novo olhar para o Sertão”, destaca.
Segundo Cristiana, Ana Neiry faz questão de mantê-la informada sobre todas as atividades, projetos e avanços da instituição, fortalecendo ainda mais o vínculo entre madrinha e ONG. Essa comunicação permanente permite que, mesmo à distância, ela acompanhe de perto cada etapa do trabalho desenvolvido e se sinta parte ativa da transformação promovida pela Pisada.
Sobre o cenário da filantropia no Brasil, Cristiana avalia que o país tem avançado significativamente nos últimos anos, tanto no engajamento de pessoas físicas quanto na participação do setor privado. “Vejo mais gente ajudando, mais empresas envolvidas. Acredito que ainda vamos impactar muitas pessoas”, projeta.
Ao falar com quem deseja ajudar, mas ainda não sabe por onde começar, Cristiana deixa uma mensagem simples e poderosa: é preciso buscar identificação. “Eu procurei um caminho, uma ligação, uma conexão. Cada pessoa precisa encontrar a ONG ou o projeto que mais toca o seu coração. O retorno que isso traz é uma felicidade sem preço, especialmente quando você vê os resultados”, afirma.
A história de Cristiana Mascarenhas reforça a essência da filantropia: mais do que doar recursos, trata-se de criar vínculos, fortalecer comunidades e construir pontes entre realidades distintas. No caso da Pisada do Sertão, essa ponte cruza continentes, mas tem como destino final o desenvolvimento humano e social do Sertão paraibano — agora visto não mais como sinônimo de escassez, mas como território de potência, dignidade e futuro.