Clínica de reabilitação no Conde é interditada após denúncias de dopagem e cárcere; 47 pacientes são resgatados

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O Ministério Público da Paraíba (MPPB) interditou uma clínica de reabilitação no município do Conde, no Litoral Sul da Paraíba, após denúncias de maus-tratos, agressões físicas e uso irregular de medicamentos contra internos. A operação, realizada entre os dias 5 e 6 de junho, resgatou 47 pacientes do sexo masculino que viviam sob condições degradantes.

Segundo o MPPB, as denúncias indicavam que os internos eram dopados com medicamentos sedativos, aplicados inclusive sem prescrição médica adequada. A responsabilidade pelas injeções era de um auxiliar de enfermagem, enquanto as receitas vinham de um profissional recém-formado, sem especialização em psiquiatria. O alvará de funcionamento da clínica estava vencido, o que levou à aplicação de multa de R$ 100 mil, devido à reincidência da irregularidade.

Além da dopagem, os pacientes relataram agressões físicas, ameaças, alimentação insuficiente e monitoramento rigoroso durante contatos com familiares. Segundo os depoimentos, os internos eram proibidos de relatar o que ocorriam dentro da unidade sob risco de retaliações. Alguns mencionaram punições como isolamento e trabalho forçado. Havia ainda cobrança por serviços como a “noite da pizza”, ao custo de R$ 100, e pelo uso de veículos da clínica.

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Durante a operação, cerca de 20 pessoas foram presas e conduzidas à delegacia local. Elas devem aguardar audiência de custódia e permanecerão à disposição da Justiça. Os nomes dos responsáveis legais e operacionais seguem sob investigação.

O promotor Demetrius Castor foi o coordenador dos trabalhos com o apoio da Polícia Civil, Polícia Militar, Vigilância Sanitária Estadual e Municipal, CREAS, Conselho Regional de Psicologia e demais órgãos sociais.

“Nos deparamos com uma situação de violação de direitos. Agora, estamos em contato com os familiares para que os acolhidos sejam retirados com dignidade e recebam os devidos atendimentos médicos e psicológicos”, explicou Felipe Conserva, subgerente de proteção social.

A clínica funcionava em um imóvel afastado, cercado por canaviais, o que, segundo as autoridades, dificultava a fiscalização e facilitava o controle dos internos. Os quartos estavam superlotados, com até dez pessoas por ambiente.

Os internos foram acolhidos provisoriamente com apoio das secretarias de saúde e assistência social, que também prestarão os atendimentos médicos e psicológicos necessários. O MPPB instaurou um inquérito civil público para aprofundar a apuração dos crimes. O órgão pede que familiares e ex-pacientes com informações sobre o caso entrem em contato pelos canais oficiais.

clínica de reabilitação interditada no Conde

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