Numa sociedade que se diz democrática, é essencial que se tenha uma mídia que oferte espaços para a pluralidade de vozes e de fontes, se possível distanciada de interesses financeiros e político-partidários, garantindo, assim, uma comunicação isenta e imparcial. É indiscutível que o poder da comunicação influencia na opinião pública. Por isso mesmo, é importante a participação dos cidadãos no contexto informativo e comunicacional. O jornalismo responsável tem que estar sempre atento às questões dos direitos e à sua violação, especialmente pelas autoridades.
A evolução da tecnologia fez surgir as redes sociais, tornando a mídia mais acessível e democrática, contribuindo para que haja uma diversidade maior de vozes e manifestações. Mas não podemos ignorar que essa democratização igualmente permitiu a disseminação de informações falsas, a manipulação de conteúdo e polarização política. A Constituição de 1988 estabelece o direito à livre manifestação de pensamento, mas é necessário considerar os impactos e ingerência dessa liberdade de comunicação nas decisões políticas e sociais.
A mídia, nas suas mais variadas formas, falada, escrita, televisada e através dos meios sociais, lamentavelmente, muitas vezes desinforma com propósitos políticos e ideológicos. Daí a necessidade do fortalecimento da mídia independente, com a responsabilidade de desempenhar um papel vital na luta por direitos e justiça social, atuando como ferramenta poderosa para promover transformações sociais. Para que isso aconteça, é necessária sua autonomia em relação a interesses comerciais e políticos, operando fora do controle da mídia tradicional, dando prioridade à liberdade editorial.
Os oligopólios multimídias, dominados por grupos familiares e políticos, como também a forte influência dos grandes anunciantes, interferem no processo de produção das informações expostas ao público, atingindo corações e mentes com o objetivo de consolidar suas concepções de mundo, em relação à política, à economia, comportamento e cultura. É perigoso deixar que eles sejam os únicos formadores de opinião. A mídia independente, ou alternativa, se apresenta como um antídoto a essa capacidade da mídia tradicional, formulando juízos próprios sobre temas, fatos, personalidades ou valores, sem direcionamento determinado pelas forças dominantes da sociedade. Através dela, é possível aumentar o nível de consciência da população, se contrapondo ao que Gransci denominou de senso comum – o conjunto de valores e ideias aceitos por todos. O jornalismo crítico e sem amarras mercadológicas, produzido pela mídia independente, mostra que é possível superar o cenário de subserviência aos interesses políticos e individuais dos grupos empresariais.
