Leia “Ovos da Serpente”, por Maria do Desterro Leiros da Costa

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O mal gestado na mente,
Contorceu-se,
Pariu monstro,
Eclodiu à nossa frente,
Num teratológico colostro.

Ovos da antiga serpente
Estão em nova temporada
Nossa geração dá sinais
De que foi envenenada.

Sentimos seus estertores
Ao som de mortais rajadas,
Vimos os botes, os tambores
Desferindo estocadas.

Orgulhosa supremacia,
Nazi-humanos praguejantes
Exibem-se sempre com armas,
Seus símbolos mais delirantes.

Matam mulheres, crianças
Barbarizam, ceifam lares.
Numa doença instalada
Destilante contra os pares.

Almas atormentadas,
Covardemente maquinam
Dias,
Anos,
Emboscadas,
Em frenéticas madrugadas,
Urdem planos, perdem tinos.

Filhos de casas funestas,
Consanguíneos mal gerados,
Abortos que só desfalcam
Famílias que sentam ao lado.

A receita é repetida
De um tempo não tão passado;
O que à mesa é servido,
Vem dos pais bem preparado:
Ódio em porções diárias,
Para ser bem mastigado,
Com fartura de insolências
Que tornam o próximo odiado.

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