Tocha – Homem Fogo, já sofre impacto da guerra

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Estávamos passando pelo bairro de Tambaú, João Pessoa, eu e Juninho, observando quanta gente deitada nas calçadas, famintos, pedindo, mendigando, quando, de repente, paramos num farol e vem até à porta do nosso carro o famoso Tocha (apelido) Homem Fogo. E ele narra que sempre foi honesto e gostava de fazer seu espetáculo como artista de rua, trabalhando com gasolina engolindo e cuspindo fogo. Mas que, naquele momento, “com o preço da gasolina nas alturas por conta da guerra e do Bolsonaro, ficou sem condição de comprar o combustível para trabalhar e levar o pão pra casa”.

Tocha- Homem Fogo é dessas pessoas alegres, humilde e ao mesmo tempo alegres o tempo inteiro. Vive sorrindo, emprestando sua boa energia a quem passa e para um minuto e presta atenção ao seu número circense, de engolir gasolina e cuspir fogo. Não é fácil, segundo ele, que faz trinta anos que exerce sua profissão. Nem sei ao certo se existe essa profissão na lista do Ministério do Trabalho…

O fato é que a miséria ronda, está novamente ao redor por onde quer que se vá. Mais tarde, paramos em outro farol e vem uma garotinha, que mesmo na ponta dos pés, sequer alcançava a janela do carro, e diz que está precisando uma ajuda. E oferece comprar umas balinhas doces.

Naquele instante em vez de sorrir como havia feito na parada do Tocha, bateu em mim uma emoção de encher os olhos de lágrimas. Lembrei de meus filhos, especialmente a Julinha, de 12 anos, que estuda, dança na escola de frevo em Recife, e ainda faz aulas de inglês.

Meus filhos, diferente de mim, tiveram oportunidade de ser criados em melhor condição de que a minha na infância. Não que me tivesse faltado o suficiente, mas não havia sobrando nada. Já eles, tiveram tudo de bom e sempre dialogamos ensinando o valor das coisas, mostrando como crianças de rua sofrem sem roupas, sem teto, sem comida, sem diversão, sem um monte de outras coisas que diferenciam a cada hora do dia…

Quando Jackson do Pandeiro e Alceu Valença cantaram que o povo tá comendo vidro, logicamente traduzindo em figura de linguagem a miséria pelo mundo à fora, eles estavam naturalmente predizendo o mundo atual, já naquela época do século passado. Sim, é verdade, estamos já em 2022 anos após a passagem do Cristo, que veio nos ensinar a repaginar boa parte da nossa conduta moral. E o que tiramos de proveito? O que aprendemos quando ele resume as Leis mosaicas, de Moisés, o profeta, e nos ensina a principal Lei que é “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

Será que estamos abrindo portas para um novo mundo, mundo de regeneração ? Será que podemos ter a consciência limpa, livre, e dormir achando que fizemos a nossa parte na história do tempo ? Será que teríamos de ser condenados a passar necessidades do tipo que vivem o Tocha – Homem Fogo, e a garotinha que inocentemente esmola nas esquinas? Será que teremos de reaprender a amar o próximo tal qual o modelo de Jesus aqui na terra?

Enquanto se gastam bilhões com mordomias de executivos do poder, enquanto bilhões são destinados para campanhas eleitorais que deixarão ainda mais ricos os que já são ricos, enquanto se desperdiçam mais de vinte mil toneladas de alimento por ano, e enquanto se investem trilhões de dólares em guerras que deturpam a ordem social, sabemos que logo ali existem crianças, como nossos filhos, que precisam apenas do pão de cada dia e um pouco de afeto para seguirem seus planos de voo pela vida.
Por enquanto há algo de errado, e nossa atitude não está sendo inteligente, posto que estamos abandonando o nosso próximo, quando mesmo engolindo e cuspindo fogo, o próximo poderá ser eu ou você. Precisamos tocar fogo no homem velho e deixar vir o novo para um planeta de regeneração. Hora de repensar o grande circo da vida humana na Terra. Começa com a sua atitude.

Escrito por: Wallyson

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