Germano Romero expõe conceitos filosóficos e culturais da vida abordando tudo

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O arquiteto, escritor e intelectual Germano Romero resolveu tratar de assuntos tabus em entrevista no Jornal A UNIÃO. Ele, que disputa vaga na Academia Paraibana de Letra fala de muitos assuntos.

PERGUNTA – O hábito de ler e escrever lhe foi estimulado pelo professor Carlos Romero ou você simplesmente herdou?

GERMANO ROMERO – Ambas as coisas e outras mais. Como nele o hábito de ler fez parte de sua vida desde a adolescência, já nasci num ambiente cheio de livros. As duas casas em que vivi possuíam memoráveis bibliotecas, onde eu e meu único irmão nos deliciávamos, curiosos, já curtindo o cheirinho bom de livro e cultura. Desde garotos, presenteados com coleções infantis de Monteiro Lobato, Esopo, Andersen, Tesouro da Juventude, além de deliciosas obras de Érico Veríssimo, Cecília Meireles e Clarice Lispector, nos aventuramos pelo mundo das letras com excelente proveito. É evidente que a linha genética deva ter parte nesse estímulo, pois a família de meu pai era pródiga na literatura. Meu avô, José Augusto Romero, meus tios, poeta Eudes Barros e jornalista Alberto Romero, escreveram muito bem, todos com livros e poemas publicados. Do lado materno, devo ter herdado a vocação para a arquitetura de meu avô, Clodoaldo Gouveia, uma referência histórica no cenário urbano paraibano que marcou o entorno da década de 40.

PERGUNTA – Há algum tempo, a sustentabilidade vem sendo incorporada à arquitetura. Não sei se sua formação tem algo a ver, mas você sempre se mostrou muito preocupado com o meio ambiente, inclusive chegou a tratar sobre o corte indiscriminado de árvores na capital em “A eutanásia verde”. Os planos do Governo de deixar os EUA explorem a Amazônia vai ser positivo ecologicamente falando para o Brasil?

GERMANO ROMERO – Pois é, até hoje não entendemos como o Reino Vegetal, talvez o mais importante do planeta, de onde tiramos oxigênio, alimento e remédios, não tenha direito a tratamento, como abordamos no texto “A eutanásia verde”. Quando adoecemos, temos médicos e remédios para cuidarem de nós; os animais têm os veterinários, mas, confesso que nunca vi um botânico ser chamado para tratar de uma árvore doente, sempre fadada à eutanásia, sem chance de ser tratada. Esse assunto da preservação ambiental é seríssimo. Conquanto estejamos vendo um certo progresso na consciência humana e na legislação, na prática o desmatamento só aumenta. Agravado pelas múltiplas formas de poluição da natureza, falta de controle, fiscalização e aplicação das leis, com um inadmissível índice de impunidade. A Amazônia, um tesouro incalculável para o planeta, só diminui de tamanho. Por causa disso, algumas pessoas estão se tornando capazes de aceitar a ideia de que aquele ecossistema seja controlado por forças de outros países, em detrimento de nossa soberania. Na verdade, a apreensão com relação ao futuro do meio ambiente nos leva a considerar que patriotismo e soberania nacional devam estar em segundo plano quando se trata da sobrevivência do planeta e da humanidade.

PERGUNTA – Seu passaporte é bastante carimbado… há algum destino que você ainda não conhece mas deseja visitar em breve?

GERMANO ROMERO – Sim, certamente. Não apenas para novas descobertas, como para reviver o prazer que certos lugares desse infinitamente maravilhoso globo terrestre nos oferecem. Nas próximas viagens, não teremos a presença física de papai, cuja companhia inseparável, além de prazerosa, nos ensinou muito em todas as andanças que fizemos com ele pelos continentes. Mas, com a nossa formação espírita, não temos a menor sombra de dúvida de que ele estará conosco, sempre que puder, quando nos aventurarmos pelo mundo afora. Inspirando-nos, guiando-nos e desfrutando conosco do aprendizado cultural, humanístico e espiritual que sempre pautou as nossas viagens.

PERGUNTA – Uma de suas paixões é a música. Quem primeiro se manifestou: o bacharel em música ou o arquiteto?

GERMANO ROMERO – Diria, da mesma forma, que o despertar foi simultâneo. As duas expressões de arte sempre me fascinaram, desde criança. Assim como a literatura, meus pais eram apaixonados por música erudita. Minha mãe, pianista e professora de piano, meu pai, um dos fundadores da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Na prática, a música chegou primeiro, pois aos 12 anos eu já era aluno do Conservatório Paraibano de Música e depois da Escola Anthenor Navarro. Aos 17, quando conclui o ensino médio, tive que optar pela Arquitetura, pois não havia o Bacharelado de Música na UFPB, no qual me diplomei posteriormente.

PERGUNTA – Seu pai, que era espírita, em um discurso declarou que “a verdadeira religião é a do amor”. Você acha que o planeta está carente de adeptos dessa “religião”?

GERMANO ROMERO – Sim, o próprio Espiritismo, que completou este mês apenas 162 anos, é uma doutrina que elege o amor como condição indispensável à evolução. Tanto que o seu slogan principal é “Fora da Caridade não há Salvação”. Entendendo como caridade, os sentimentos de gentileza, solidariedade, justiça, tolerância, compreensão, fraternidade, e não a caridade material ou a doação do supérfluo. Nesse tipo de caridade e amor, o planeta está sim, excessivamente carente. A atual exacerbação dos valores patrióticos, intolerância religiosa, ideológica, política, indiferença às injustiças sociais, autoritarismo e aparelhamento bélico estão muito longe da religião do amor, referida por Carlos Romero. Ele, sim, foi um dos maiores exemplos de humildade, gentileza e bondade que conhecemos na vida. Por isso, não discriminava religião alguma, desde que o bem estivesse presente em seu foco. Para ele, Gandhi, Madre Teresa, Irmã Dulce, Padre Zé Coutinho, Lutero, Kardec, Chico Xavier, sublimaram o sentimento de religiosidade, que deve sempre estar acima do rótulo da religião.

Portal WSCOM

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