O professor Erik Figueiredo, do Departamento de Economia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), analisa o preço da gasolina no Brasil, em novo texto publicado nessa quinta-feira (24). O artigo semanal é uma parceria do Departamento de Economia da UFPB com o Grupo WSCOM.
Segundo o especialista, a explicação para este aumento é diversa e muito bem documentada nos meios de comunicação.
Confira a íntegra do artigo:
Preço da gasolina: sentiríamos menos com um governo menor
Por Erik de Alencar Figueiredo
No momento que escrevo este artigo o barril do petróleo atinge $ 72,13, um dos maiores valores registrados no último 3 anos (vejam aqui: http://www.oil-price.net/). A explicação para este aumento é diversa e muito bem documentada nos meios de comunicação. De toda forma, não custa relembrar os principais fatores. O primeiro diz respeito ao movimento liderado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP. Após experimentar um longo período de queda no preço do barril, a OPEP decidiu reduzir a oferta do petróleo para os próximos anos. Como sabemos, a redução da oferta resulta em um aumento de preços. O segundo movimento diz respeito a questões geopolíticas, em especial, as sanções norte-americanas ao Irã, a crise na Síria e o processo de destruição econômica/social da Venezuela, posto em prática pelo (muito admirado em terras brasileiras) Nicolas Maduro. Convém ressaltar que a Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo entre os integrantes da OPEP. Por fim, temos a alta do dólar decorrente da fuga de capitais em busca dos juros mais altos nos Estados Unidos.
De uma forma resumida, isso explica a alta internacional do petróleo, mas o que explica o aumento do preço da gasolina nos postos brasileiros? Primeiro, a nova política de preços da Petrobras. A empresa decidiu repassar as flutuações internacionais para o bolso dos consumidores brasileiros. Segundo, e com menor relevância, vem a contribuição do governo brasileiro para a valorização do Dólar frente ao Real ao reduzir a taxa de juros em um momento de aumento da taxa de juros norte-americana. Isso já esta bem documentado aqui: http://bdadolfo.blogspot.com.br/2018/05/o-que-aconteceu-com-taxa-de-cambio.html. Terceiro, vem o próprio tamanho do governo que faz com que uma flutuação internacional abale o bolso do brasileiro. Em poucas palavras, a carga de impostos sobre a gasolina é tão grande que deixa o trabalhador no limite do seu orçamento. Qualquer variação, por menor que seja, desestabiliza as financias das famílias. Sentimos o aumento porque já pagamos um preço muito elevado.
Diante disso, o que podemos tirar de lição? Primeiro, o monopólio é algo indesejável para o consumidor. A OPEP é um monopólio e decide o quanto cobrar pelo barril de petróleo. A única forma de acabar com o seu poder é buscar veículos com fontes alternativas de energia. A notícia ruim é que isso só será possível no longo prazo. A Petrobras também é um monopólio. Para acabar com isso temos que abrir o mercado e privatizar essa joça estatal. Se você discorda, basta ir em um posto de gasolina, abastecer seu carro e na hora de pagar dizer ao frentista: “desconta esse valor da minha parte da Petrobras, afinal, o petróleo é nosso!” A segunda lição envolve o papel do governo. Por que não exigirmos uma redução expressiva nos tributos? A resposta dos especialistas virá acompanhada do termo ‘equilíbrio fiscal’. Então diremos, reduzam as despesas. Cortem os gastos e o tamanho do governo. Deixe o dinheiro da população no bolso do povo.
Evidente que essas minhas palavras não possuem uma conotação prática. Afinal, é muito difícil cortar gastos em um país onde as despesas possuem lastro constitucional. Trata-se apenas de uma idéia que, para minha surpresa, ganha mais força entre os brasileiros. Em resumo, o aumento da gasolina possui componentes internacionais e nacionais. E, apesar de não sabemos dizer ao certo o que contribui mais para o preço final ao consumidor, podemos afirmar que sentiríamos muito menos as flutuações mundiais se não tivéssemos um governo tão grande e ineficiente.
Escrito por: fabricia
