Nas eleições da Argentina, hoje, Brasil tem papel preponderante

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Mais de 32 milhões de argentinos estão habilitados para votar neste domingo (25) na primeira rodada da eleição que encerrará o longo ciclo de poder da família Kirchner, iniciado em 2003. O candidato que lidera as pesquisas é Daniel Scioli, um peronista moderado que foi vice-presidente entre 2003 e 2007 e governador da província de Buenos Aires, o distrito mais populoso do país e de maior peso eleitoral, com 12,5 milhões de pessoas habilitadas a votar.

As pesquisas indicam que Scioli ganhará a primeira rodada, mas não são unânimes se o candidato governista poderá abrir grande vantagem sobre o segundo colocado, o prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, ex-presidente do popular clube de futebol Boca Júniors e identificado com as bandeiras da abertura econômica.

O sistema eleitoral argentino estabelece que para vencer no primeiro turno o candidato deve obter, ao menos, 45% dos votos, ou um mínimo mais de 40% mais uma diferença de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado

As sondagens creditam a Scioli intenções de voto entre 39 pontos e 43 pontos percentuais ante 28 a 32 pontos de Macri.

O terceiro em disputa é o ex-prefeito da pequena e próspera cidade de Tigre (província de Buenos Aires) e deputado federal Sergio Massa, um peronista que rompeu com Cristina em 2013 e que teve em 2008 uma curta passagem pelo governo como chefe de Gabinete (Casa Civil). Massa obterá uns 20% dos votos, segundo as sondagens.

Mas, para além das diferenças entre Scioli, Macri y Massa, e por mais que o governador de Buenos Aires conte com o eleitoralmente relevante apoio de Cristina Kirchner – que deixa o governo com uma imagem positiva de cerca de 30 pontos percentuais -, nenhum dos candidatos promete seguir o caminho da presidente, que manteve tempestuosos conflitos com os grandes meios de comunicação do país – principalmente o poderoso Grupo Clarín -, e com o agronegócio, importante para a economia argentina, e em 2010 utilizou as reservas do Banco Central para financiar o Tesouro, o que acelerou a inflação para acima de 35% anual (2014).

Com alguns detalhes destoantes, assessores econômicos e de política exterior dos três candidatos prometem resolver as reivindicações de fundos internacionais que ainda cobram títulos da dívida não pagos a partir da crise de 2001/2002 e, gradualmente, reduzir a inflação para um dígito.

O modelo introduzido primeiro por Nestor e depois por Cristina Kirchner teve seus melhores anos até 2011, quando o crescimento da economia e da produção industrial começou a declinar, a desconfiança fragilizou os investimentos e o governo intensificou as políticas estadistas.

Atualmente, cerca de 18 milhões de argentinos – de uma população de 40 milhões – recebem algum tipo de ajuda do Estado.

O esgotamento das reservas internacionais também forçou a aumentar o protecionismo, prejudicando as importações, e resultou em um controle do câmbio que fez disparar o preço do mercado negro, onde a diferença em relação ao dólar oficial é de 70%.

Apesar dos problemas econômicos, e após a situação traumática de 2001/2002, o sentimento da maioria dos argentinos é que o país não está enfrentando uma crise.

A relação com o Brasil ocupa um lugar central na agenda dos candidatos. Na campanha, o governador Scioli visitou a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, projetando para o eleitorado uma imagem de uma chefe de estado vista como central para os argentinos país. Macri, por sua vez, prometeu que se vencer as eleições, faria sua primeira viagem como presidente para o Brasil, embora não tenha tido tempo, semanas atrás para receber, em Buenos Aires, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de presidente e vice, os argentinos elegerão governadores de 11 províncias, prefeitos, a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado.

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