Obama: ‘O Estado Islâmico não nos intimidará, faremos justiça’

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{arquivo}WASHINGTON — O vídeo da decapitação do jornalista americano Steven Sotloff, reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), é autêntico, informou a Casa Branca nesta quarta-feira. Durante uma visita oficial à Estônia, o presidente Barack Obama fez uma advertência àqueles que “ameaçam” os Estados Unidos:

— Nós não seremos intimidados. Seus atos terríveis apenas nos unem e aumentam a nossa vontade lutar contra esses terroristas. E aqueles que cometem o erro de prejudicar os americanos vão aprender que não vamos esquecer e que a justiça será feita.

Obama tentou definir uma estratégia dos Estados Unidos para combater o Estado Islâmico depois de sugerir na semana passada que não tinha um plano. Ele citou a formação de uma coalizão internacional, incluindo os Estados árabes, para “degradar e destruir” o grupo extremista.

— O que nós precisamos ter é certeza de que estamos organizando o mundo árabe, o Oriente Médio, o mundo muçulmano, juntamente com a comunidade internacional para isolar esse tipo de câncer.

Minutos antes, Caitlin Hayden, porta-voz da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, confirmara a veracidade das imagens:

“Os serviços de inteligência dos Estados Unidos analisaram a recente divulgação de um vídeo que mostra o cidadão americano Steven Sotloff e chegaram à conclusão de que é autêntico”, disse Hayden.

Nas imagens divulgadas pelo EI, Sotloff fala com o olhar voltado para a câmera e afirma que é vítima da decisão do presidente Barack Obama de realizar ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque.

Em seu discurso, o presidente justificou que os bombardeios tinham dado ao país a chance de começar a formar um governo inclusivo. E disse que progressos tinham sido feitos em termos de criar um governo central inclusivo, unindo xiitas, sunitas e curdos.

O SEGUNDO JORNALISTA AMERICANO DECAPITADO

Sotloff, de 31 anos, foi raptado nos arredores de Aleppo, no Norte da Síria, em agosto de 2013, e permaneceu desparecido até sua aparição na primeira mensagem divulgada pelo Estado Islâmico, na qual outro jornalista americano, James Foley, foi decapitado. Na gravação, o grupo extremista disse que Sotloff poderia ser a próxima vítima caso os Estados Unidos não interrompessem seus ataques contra jihadistas no Iraque.

Antes de Sotloff ser decapitado, o jornalista lê um texto endereçado a Obama:

“Obama, sua política de intervir no Iraque deveria visar a proteção de vidas e interesses americanos, então por que estou pagando com minha vida por sua interferência? Não sou um cidadão americano? Vocês gastou bilhões dos contribuintes americanos, e perdemos milhares de soldados nas nossas lutas anteriores contra o Estado Islâmico, então qual é o interesse popular em recomeçar essa guerra?”

“Lembro-me de quando você não podia ganhar uma eleição sem prometer que traria os soldados de volta do Iraque e do Afeganistão, e que fecharia Guantánamo. Aqui está você, Obama. Próximo do fim de seu mandato, sem que nada do que foi prometido tenha sido alcançado, e levando o povo americano para as labaredas”, continuou Sotloff.

“Estou de volta, Obama, e voltei por conta de sua política externa arrogante contra o Estado Islâmico, porque você continua a atacar e bombardear a represa de Mossul, apesar de nossos sérios alertas”, afirma o executor mascarado, que poderia ser “John”, o britânico visto no vídeo da execução de James Foley.

“O que você, Obama, ganhará com suas ações será a morte de outro cidadão americano. Enquanto seus mísseis continuarem a atingir nosso povo, nossas facas continuarão golpeando os pescoços de sua gente”, continua o mascarado. “Usamos essa oportunidade para avisar aos governos que entrarem nessa aliança maligna contra o Estado Islâmico que se afastem e deixem nosso povo em paz”.

O vídeo termina com o militante ameaçando matar um homem identificado como David Cawthorne Haines, de origem britânica.

SOTLOFF CONSIDERAVA A SÍRIA ‘ASSUSTADORA’

Em sua conta no Twitter, Steven Sotloff se descrevia como “um filósofo de Miami”, enquanto no Facebook, o repórter citava “Lawrence da Arábia” e “O Grande Lebowski” como seus filmes favoritos. Fã do Miami Heat, ele passou a maior parte de sua vida na Flórida, e na universidade coeditou o jornal estudantil, desenvolvendo uma paixão pelo jornalismo.

— Ele era um bom amigo, companheiro e leal. Se você precisasse de algo, ele interrompia qualquer coisa para ajudar — conta Josh Polsky, colega de quarto de Sotloff na universidade.

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Como freelancer, Sotloff trabalhou para as revistas “Time” e “Foreign Policy”, e para os jornais “Christina Science Monitor” e “World Affairs Journal”, e atuou como correspondente em países como Bahrain, Egito, Turquia, Líbia e Síria. Amigos afirmam que ele viveu por muitos anos no Iêmen, e falava árabe bem.

Outro colega universitário, Emerson Lotzia Jr, afirmou que Sotloff estava ciente dos riscos que o trabalho na região representava:

— Era o que ele amava fazer e ninguém conseguia pará-lo — afirmou Lotzia. — Steve disse que era um local assustador e perigoso. Não era seguro, e ele sabia. Mas ele continuava voltando.

 

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