Após uma auditoria internacional comprovar o desvio de milhões de reais na Cruz Vermelha do Brasil, a organização relatou que irá entregar o dinheiro aos beneficiários. Os valores desviados são referentes às doações para as campanhas para socorrer vítimas das enchentes na região serrana no Rio de Janeiro, de prevenção à dengue, do tsunami no Japão e da seca na Somália. Os valores desviados são de R$ 212 mil e R$ 1,6 milhão.
Uma auditoria realizada por uma empresa inglesa encontrou as irregularidades no braço brasileiro da organização internacional. As doações foram repassadas a uma ONG que pertence à mãe do vice-presidente da Cruz Vermelha na época. Outra parte das doações, no valor de R$ 523 mil, foi destinada a fundos de aplicação.
A instituição no Brasil relata que está implementando mudanças no organismo, e que está comprometida com a solução do problema após a concretização da auditoria, que começou em 2012.
Em nota, a atual diretoria relata que agirá, inclusive, “judicialmente, para que estes recursos sejam entregues aos seus beneficiários”.
A Cruz Vermelha Brasileira (CVB) informa a finalização da auditoria financeira externa, realizada por uma empresa internacional, em seu Órgão Central e filiais que desenvolveram projetos ou campanhas com movimentação financeira relevante.
Esta auditoria foi solicitada por iniciativa do Conselho Diretor da própria CVB à Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) e ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em setembro de 2012, após denúncias de supostos fatos graves na instituição. É a primeira vez que uma Sociedade Nacional da Cruz Vermelha faz um pedido dessa natureza à FICV e ao CICV.
Foi uma auditoria complexa e minuciosa, e por isso mesmo longa. Ela inclui a criação de um plano de recuperação, que incorpora todas as recomendações do relatório, as quais estamos adotando. Diversas autoridades têm conhecimento da crise e receberão o relatório nos próximos dias..
Além da auditoria, a Federação Internacional ativou a Comitê de Cumprimento e Mediação, cuja função é dar seguimento aos diferentes casos de integridade, ou seja, comportamentos e ações em desacordo com os Princípios Fundamentais, Princípios Éticos, gestões contábeis e financeiras, que podem acontecer em uma Sociedade Nacional da Cruz Vermelha. Esta Comissão fará um trabalho sistemático de acompanhamento de implantação das sugestões apontadas no relatório de auditoria.
A atual diretoria está implementando mudanças na CVB, e está comprometida com uma solução definitiva, à altura de uma organização como a Cruz Vermelha, reconhecida por seus princípios e pela pertinência de sua ação humanitária. Para isso, conta com o apoio do CICV, da Federação Internacional e de instituições e pessoas no Brasil.
É importante lembrar que a CVB é uma organização independente, que realiza suas atividades humanitárias em conformidade com seus estatutos e em acordo com a legislação nacional, cumprindo com a missão do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e conforme os Princípios Fundamentais do Movimento. A CVB está convencida da necessidade de uma reforma ampla para melhor atender ao seu mandato e à grandeza dos desafios de um país como o Brasil, cuja população merece e terá uma Cruz Vermelha atuante e capaz de oferecer ajuda humanitária àqueles que mais a necessitam.
Os auditores constataram falta de controles internos, e ausência deprocedimentos escritos e formais. Deficiências e irregularidades foram identificadas. Entre elas, o desvio da arrecadação de quatro campanhas – para vítimas do conflito e da seca na Somália, do tsunami no Japão e das enchentes na Região Serrana do Rio de Janeiro, e para uma campanha de prevenção à dengue – para uma conta de uma outra instituição, e que, portanto, nunca chegou ao seu destino: ajudar a população necessitada. A atual diretoria agirá, inclusive judicialmente, para que estes recursos sejam entregues aos seus beneficiários.
Há comprovações de irregularidades e considera-se que alguns destes casos podem ser delitos enquanto outros se configuram como faltas administrativas, menos graves, mas não menos passíveis de punição.
A responsabilidade de corrigir os problemas apontados na auditoria é da CVB. A Sociedade Nacional adotará os procedimentos judiciais e administrativos para punir quem deu causa às irregularidades e ilegalidades. Como prova de boa-fé e vontade de colaborar entregará o relatório da auditoria às autoridades competentes. Nos casos em que a auditoria não é conclusiva, a CVB realizará investigações internas e, quando cabível, apresentará denúncia à Justiça.
Além disso, internamente, está tomando uma série de medidas para promover essa reforma necessária. Entre outras medidas preventivas, adotar o critério de idoneidade das pessoas que trabalham na CVB, o que inclui competências e profissionalismo; um Código de Ética e uma Comissão de Ética; mecanismos de controle rigorosos, normas sobre conflitos de interesse, auditorias interna e externa, prestação de contas e sanções por descumprimento de normas.
Sabemos que o trabalho de reorganizar e dotar a CVB de mecanismos de compliance é algo urgente. Todo esforço necessário será empreendido junto ao poder público nacional, aos nossos voluntários, às Sociedades Nacionais coirmãs do Movimento Internacional. Assim atuaremos norteados pelos mesmos princípios que guiaram os 106 anos de trabalho da Cruz Vermelha Brasileira (CVB) em favor dos vulneráveis.”
