APL promove sessão solene em homenagem a Pedro Gondim

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“Pedro Gondim representou a luta do esforço próprio, não para sí, mas para o interesse público”, afirmou o presidente da Academia Paraibana de Letras, professor Damião Ramos Cavalcanti, em Sessão Solene realizada na noite de sexta-feira (06) em homenagem ao ex-governador da Paraíba, Pedro Moreno Gondim, pela passagem do seu Centenário de Nascimento, comemorado no dia 1º de maio passado.

Damião Ramos lembrou que Pedro Gondim foi um dos governadores que mais fez pela cultura da Paraíba; disse que o ex-governador cultivou o bem-querer, e observou que o valor da memória e a gratidão pelo seu trabalho foram os principais elementos motivadores da homenagem prestada pela Academia Paraibana de Letras.

A Sessão Solene contou com a participação de acadêmicos, amigos e familiares de Pedro Gondim, dentre os quais as filhas Nilda, Rosa e Sônia Gondim, os filhos Hamiltom e Fábio Gondim e os netos Vital do Rêgo Filho (senador da República) e Rachel Gondim (médica pediatra). O ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rêgo não pode comparecer em razão de compromissos políticos no interior do Estado.

{arquivo}Lembrando Pedro Gondim – Coube ao acadêmico da APL e historiador José Octávio de Arruda Melo falar da história do homenageado. Em seu relato, ele referiu-se a Pedro Gondim como o “mais humano dos governadores da Paraíba”. “Pedro Gondim foi o governador da reorientação do serviço público; implantou dois Distritos Industriais, o de João Pessoa e o de Campina Grande, proporcionando novas perspectivas de modernização num Estado até então feudal e agrícola, e firmou-se também como o governador das grandes obras na cultura paraibana”, ressaltou.

Fazendo um breve histórico da vida do homenageado, José Octávio afirmou que “Pedro Gondim foi um tufão na política paraibana dos anos 1960”. “A frase ‘Prefiro ser expulso por rebeldia do que ser condecorado por subserviência’ ficou marcada na vida de Pedro Gondim e foi absorvida pela multidão”, comentou o historiador, acrescentando que “Pedro Gondim soube servir à democracia com dedicação e constância, e suas eleições eram ganhas no voto”.

Agradecimento – Coube à deputada federal Nilda Gondim (PMDB-PB) agradecer, em nome da família, a homenagem prestada pela APL ao seu pai Pedro Gondim – ex-governador, jurista e poeta que ocupou e honrou com sua presença a Cadeira nº 30 da “Casa de Coriolano de Medeiros”, a qual foi fundada pelo acadêmico Francisco Barbosa Coutinho Filho, tendo Santos Estanislau Pessoa de Vasconcelos como patrono.

“No momento em que comemoramos o Centenário de Nascimento de Pedro Gondim, que nasceu no dia 1º de maio de 1914 (muito apropriadamente no Dia do Trabalhador), é muito importante resgatar a memória deste paraibano que deixou firmadas na história do nosso Estado marcas indeléveis de compromisso, trabalho operoso e ações construtivas”, enfatizou.

{arquivo}Nilda Gondim acrescentou que, com seu jeito simples e humilde, Pedro Gondim acreditava na força do amor e no respeito às Instituições Democráticas. “Com este sentimento – observou –, não mediu esforços no sentido de contribuir para a construção de uma sociedade justa e sensível aos apelos populares por melhores condições de vida e de acesso pleno à cidadania e à dignidade humana”.

Ela lembrou também que, “enquanto administrador, Pedro Gondim priorizou a Educação; divulgou e expandiu para todo o Estado projetos culturais; criou os Distritos Industriais de João Pessoa e de Campina Grande; valorizou o homem do campo, prestigiou os servidores públicos e promoveu a Polícia Militar, oferecendo segurança e bem-estar às famílias paraibanas”.

“Com sua vida marcada por uma trajetória rica de desafios, enfrentamentos e superações – continuou a deputada –, Pedro Gondim foi atingido pelo arbítrio do AI-5, sem nenhuma possibilidade de defesa, como todos os outros companheiros que tiveram seus direitos políticos cassados, fato que se constituiu numa violência extrema e despropositada contra os seus direitos de cidadão e de pessoa humana, e também contra o seu projeto pessoal de lutar e trabalhar em benefício dos interesses das camadas menos favorecidas da sociedade”.

Resgate histórico – Passados cinquenta anos do golpe militar de 1964, a deputada Nilda Gondim lembrou que no dia 05 de maio deste ano recebeu, juntamente com seu filho Veneziano Vital do Rêgo, documento da Comissão Estadual da Verdade comprovando que a cassação do mandato de deputado federal do ex-governador Pedro Gondim, por parte da ditadura militar, ocorreu de forma injusta.

“O documento nos foi entregue pelo advogado, professor de Direito e historiador Jean Patrício da Silva, membro do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (IHGP), que afirmou que na época da ditadura militar os políticos que estavam ao lado do povo; que tinham discursos em favor dos mais humildes, dos mais necessitados, eram considerados uma ameaça ao governo”, comentou Nilda Gondim.

Segundo ela, o documento é importante não apenas para a Família do ex-governador, mas para todo o povo paraibano, porque muita gente ainda hoje questiona: “Por que é que Pedro Gondim foi cassado? Quais foram os motivos alegados na época pelo governo?” “Nós agora podemos comprovar de forma documentada que foi uma cassação injusta, política, que prejudicou a democracia paraibana e brasileira e que foi motivada pelos discursos de Pedro Gondim enaltecendo a Liberdade, o Estado Democrático de Direito e a Justiça Social”, observou.

Valores éticos – Ainda em seu discurso, a deputada federal Nilda Gondim ressaltou os valores morais e éticos que conduziam a personalidade de Pedro Gondim. Ela lembrou que seu pai não deixou bens materiais, mas deixou um grande patrimônio cívico de exemplos, atitudes e ações que enobrecem a sua vida e faz muitos paraibanos voltarem no tempo e relembrar com muita clareza a memorável campanha eleitoral de 1960, que ficou gravada nos corações dos paraibanos por meio das seguintes expressões: “– Quem é o homem? – O homem é Pedro!”

“Este homem (Pedro Gondim) governou a Paraíba pautado nos interesses da coletividade; enfrentou pressões extremas de muitos que defendiam a primazia dos interesses individuais sobre os direitos sociais/coletivos, mas não se curvou”, comentou Nilda Gondim, afirmando que a marca de coragem, do “homem sem medo”, esteve sempre expressa nas palavras proferidas pelo seu pai, em momentos de intensa saturação, conforme citou a escritora Lourdinha Luna em plaquete de sua autoria comemorativa pelo Centenário de Nascimento de Pedro Gondim:

“No auge do sofrimento Pedro Gondim lançou um libelo aos falsos amigos que lhe atormentavam os dias: – Não variei e solenemente afirmo não variar de conduta. Compreendo a vida como unidade de amor e trabalho. Em que os encargos e frutos devem a todos pertencer, e onde o compromisso contra o egoísmo seja prece, gesto e ação. Invisto-me no ensejo de servir melhor, na ânsia de uma alegria comum para todas as criaturas. As campanhas políticas passam. Apenas a conduta sobrevive como sentinela e guarda de honra de uma Paraíba que se pertence a si mesma, recolhendo na sucessão eterna dos seus dias o amor sem impurezas e trabalho honesto dos seus filhos”.

Encerrando seu pronunciamento, Nilda Gondim acrescentou:

“Neste momento de justa e honrada homenagem à memória de Pedro Gondim, externo, em meu nome e em nome de todos os nossos familiares, nossa felicidade e gratidão à Academia Paraibana de Letras por este momento revestido de sentimento de justiça e de reconhecimento ao homem público vocacionado em servir à Paraíba e ao seu povo; ao poeta a externar seus anseios de libertação; ao humanista extremamente humilde que sabia ser generoso no trato com os amigos; ao Acadêmico e Imortal Pedro Gondim, que pertenceu a esta Augusta Academia e que conviveu e interagiu com muitos dos membros ilustres desta Casa de Coriolano de Medeiros”.

Lançamentos – Como parte das homenagens da Academia Paraibana de Letras a Pedro Gondim, foram lançadas três edições relacionadas ao ex-governador; o livro “100 anos sem medo – centenário de Pedro Gondim”, de autoria dos jornalistas Gonzaga Rodrigues e Hélio Zenaide, a plaquete “O centenário de Pedro Moreno Gondim”, da escritora Lourdinha Luna, e a revista Genius, dirigida e editada pelo conselheiro do TCE, Flávio Sátiro Fernandes.

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