Dono de construtora de prédio que desabou em Guarulhos foi alvo de processo do c

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 O engenheiro civil Fernando Madeira Salema, dono da construtora Salema Comércio, Construções e Projetos Ltda., empresa responsável pelo prédio que desabou no início da noite desta segunda-feira (2) em Guarulhos, na Grande São Paulo, respondeu a um processo administrativo do CREA-SP (Conselho Regional de Engenharia de São Paulo) e recebeu uma “advertência reservada” do órgão em fevereiro de 2013.

Segundo o documento do conselho, ao qual a reportagem do R7 teve acesso, o processo julgado pela Câmara Especializada de Engenharia Civil em 27 de fevereiro de 2013, cujo relator era Cyro Raphael Monteiro da Silva, decidiu advertir Salema por ter infringido os artigos 8°- Incisos 1 e 3 (que tratam da ética e honestidade na engenharia) -, o 9º – Inciso 2 alínea “c” (contribuir para a preservação da incolumidade pública), e o 10º – Inciso I, alínea “a” (é vedado ao engenheiro descumprir voluntária e injustificadamente com os deveres do ofício), segundo rege o Código de Ética Profissional do Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia).

No processo administrativo do CREA-SP, o engenheiro Davi Guilherme Gaspar Ruas pontuou três argumentações contrárias à conduta de Salema: “1 – O profissional na oitiva declarou que construiu sem licença da prefeitura e que ainda hoje (25/07/12) a obra não está regularizada; 2 – que não respondeu às notificações porque o seu Código de Endereçamento Postal estava errado, porém, consta sua solicitação de inteiro teor do processo, a qual foi providenciada e não retirada; e 3 – o total desinteresse do profissional em se manifestar no decorrer do processo”.

O relator Cyro Raphael Monteiro da Silva pediu pela chamada “advertência reservada” a Salema, a qual foi aceita por unanimidade. A assessoria do CREA-SP informou ao R7 que o processo possui caráter administrativo e não influi no prosseguimento das atividades do engenheiro durante o andamento do caso. Ou seja, enquanto tinha a sua conduta em uma obra analisada, Salema não estava impedido de continuar conduzindo outras construções.

Procurado para dar a versão do dono da construtora sobre o assunto, o advogado Maurício Monteagudo Flausino disse ao R7 não ter conhecimento de detalhes do processo conduzido pelo CREA-SP, mas destacou que a obra que gerou a punição administrativa do conselho não é a mesma que desabou em Guarulhos na última segunda-feira — um prédio residencial de cinco andares, com 30 apartamentos e dois subsolos.

A reportagem ligou para os telefones de Fernando Madeira Salema, mas ambos estavam desligados. Segundo Flausino, o engenheiro “está abalado, emocionalmente e psicologicamente, porque não esperava esse tipo de situação”, e vai aguardar o curso das investigações antes de se pronunciar sobre o desabamento.

Construtora tem quase 20 anos de vida

Formado em engenharia civil pela Universidade de Guarulhos em 1993, Fernando Madeira Salema consta como diretor-presidente da Salema Comércio Construções e Projetos Ltda. desde abril de 1994 em sua página na rede social Linkedin. Já na Junta Comercial de São Paulo, a empresa consta como aberta em 10 de novembro de 1994, mas com constituição apenas em 30 de abril de 2002, com capital de R$ 150 mil.

Fernando Salema possui ainda as formações de técnico em edificações e nas áreas elétrica e hidráulica, ambas obtidas na década de 80.

 

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