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Longa paraibano ‘Trapiá, um outro Sertão’ é exibido no 36º Festival Ibero-americano de Cinema

 

Trapiá, um outro Sertão (84 min, 2026), longa do cineasta e professor Bertrand Lira está na Mostra Competitiva de longas do Cine Ceará – Festival Ibero-americano de Cinema que acontece de 07 a 13 de novembro em Fortaleza. O filme, que teve estreia mundial em Santiago de Compostela na Galícia (Espanha) na III Mostra de Cinema Brasileiro do Festival Bonito pra Chover, será exibido pela primeira vez no Brasil.

 

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Finalizado este ano, Trapiá, um outro Sertão é o único o documentário da Mostra e compete com cinco ficções de longa-metragem: Eu não morrerei de amor (Yo no moriré de amor), da diretora Marta Matute, uma coprodução Espanha-Bélgica; Nunkui, de Verenice Benítez, coprodução Equador-Chile-Alemanha; Sob o mesmo sol (Bajo el mismo sol), do diretor Ulises Porra, uma coprodução República Dominicana-Espanha; Não há ida sem retorno (No hay ida sin retorno), do diretor Carlos Sánchez Giraldo, ficção peruana; Terra Firme, de Alexandre Vale, produção cearense. Os filmes selecionados concorrem ao Troféu Mucuripe em diferentes categorias.

 

Os filmes das duas mostras competitivas concorrem ao Troféu Mucuripe. Na Mostra Competitiva Ibero-americana de Longa-metragem, serão premiados os vencedores nas categorias Melhor Longa-metragem, Direção, Atuação Principal, Atuação Coadjuvante, Roteiro, Fotografia, Montagem, Trilha Sonora Original, Som, Direção de Arte e Prêmio da Crítica. O Melhor Longa, eleito pelo Júri Oficial da Competitiva Ibero-americana, receberá prêmio no valor de R$ 40 mil, destinados à distribuição da obra no Brasil, conforme os critérios previstos no regulamento.

 

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Na Mostra Competitiva Brasileira de Curta-metragem, o Troféu Mucuripe será concedido nas categorias Melhor Curta-metragem, Direção, Roteiro e Prêmio da Crítica. Os filmes também disputam o Prêmio Canal Brasil de Curtas, destinado à melhor produção da seleção. A premiação busca estimular novos realizadores e tem o vencedor escolhido por um júri formado por críticos e jornalistas especializados em cinema.

 

Trapiá, um outro Sertão tem como tema uma comunidade particular do Sertão da Paraíba, em transição de uma forma tradicional de vida para a inclusão no mundo globalizado e conectado. Os personagens de Trapiá, como a planta que dá título ao filme, sobrevivem aos reveses da vida: histórias de desamor, abandono, solidão, mas também preservando costumes que engrossam uma cultura rica de significados. O filme foi produzido com recursos da Lei Paulo Gustavo de 2023 com operacionalização da Secretaria de Estado e Cultura do Governo da Paraíba.

 

A árvore trapiá dá nome a um pequeno aglomerado de casas distribuídas em pequenos sítios de moradores na zona rural do município de Nazarezinho, no Sertão da Paraíba, a mais ou menos 450 km da capital do estado. Há vários sítios na região com o nome Trapiá, identificados pelo nome das famílias proprietárias da terra (“Trapiá dos Alves”, “Trapiá dos Severos”, “Trapiá dos Alecrins”, etc.). Trapiá é uma palavra de origem tupi-guarani e significa “fruta de anta”, por conta da predileção do bicho pela fruta da árvore, agora em extinção no lugar.

 

Nos sítios Trapiá, onde se passa nossa narrativa, existe apenas uma. O fruto da árvore trapiá alimentava a população faminta da caatinga em época de seca prolongada.

 

Além de emprestar nome ao local, a árvore trapiá será uma metáfora para a resiliência da gente que habita essa região. A árvore resiste a secas prolongadas e ao forte calor, mantendo sempre verde a folhagem de sua copa, em forma de guarda-chuva, como um abrigo para as intempéries.

 

O diretor Bertrand Lira considera “uma premiação a seleção de sua obra para um festival da importância do Cine Ceará e por estar concorrendo com filmes de países ibero-americanos. E o que vier depois é lucro”, alegra-se. Como cineasta, dirigiu diversos documentários de curta, média e longa-metragem premiados em festivais no Brasil e no exterior, entre eles o JVC Grand Prize do 26º Tokyo Vídeo Festival de 2004. Foi aluno de estágios em documentário no Atelier de Réalisation Cinématographique – VARAN, em Paris.

 

Autor dos livros Luz e Sombra: significações imaginárias na fotografia do cinema expressionista alemão (2013) e Cinema Noir: a sombra como experiência estética e narrativa (2015). Curador e membro de júri em diversos festivais de cinema a exemplo do Festival de Gramado (RS), Festival de Brasília (DF), Cine Pe (PE), Fest Aruanda (PB), Festival de Vitória (ES), Goiânia Mostra Curtas (Goiânia-GO), For Rainbow (CE) e Thessalonik LGBTQI+ Festival (Tessalônica, Grécia), Circuito Penedo de Cinema (AL), entre outros.

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