Depois de seis anos de espera, The Strokes retorna com Reality Awaits, um álbum que, à primeira audição, pode causar estranhamento. Tanto pela faixa de abertura quanto pelos primeiros singles divulgados, a impressão inicial é de que a banda teria se afastado demais da identidade que a consagrou. Felizmente, essa sensação dura pouco.
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A partir de Dine N’Dash, o disco muda completamente de direção e passa a revelar sua verdadeira proposta. É nesse momento que Reality Awaits encontra equilíbrio entre inovação e nostalgia, construindo uma sequência de músicas que sustenta a qualidade do álbum quase até o fim. O grupo não tenta repetir o passado, mas também não o abandona. A essência dos Strokes permanece presente, agora acompanhada por novas influências e uma produção mais ousada.
Um dos elementos que mais despertava desconfiança era o uso do autotune. Nas primeiras faixas, o recurso soa excessivo e parece mascarar parte da personalidade vocal de Julian Casablancas. No entanto, conforme o álbum avança, ele deixa de ser um obstáculo e passa a funcionar como ferramenta estética. O efeito é incorporado de forma orgânica às composições, adicionando textura sem apagar a identidade do vocalista que marcou Is This It.
Esse talvez seja o maior mérito de Reality Awaits: provar que evolução não significa ruptura. Os Strokes experimentam novas sonoridades, refinam a produção e exploram caminhos diferentes, mas preservam aquilo que sempre fez da banda uma referência no rock alternativo: melodias marcantes, guitarras envolventes e um senso de composição que continua reconhecível.
Embora o início do álbum não esteja entre os momentos mais inspirados da carreira do grupo, o restante do trabalho compensa essa impressão com folga. Reality Awaits é um disco que cresce a cada audição e confirma que, mesmo depois de mais de duas décadas de estrada, os Strokes ainda conseguem surpreender sem perder a própria identidade. É um retorno maduro, confiante e, muito provavelmente, um dos melhores trabalhos da fase mais recente da banda.

