Mais de 130 anos depois dos assassinatos que a tornaram conhecida nos Estados Unidos, Lizzie Borden voltou ao centro das atenções com a nova temporada da série antológica Monstro, de Ryan Murphy e Ian Brennan. A produção dramatiza o caso de 1892, quando Lizzie foi acusada de matar o pai e a madrasta com golpes de machado.
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Interpretada por Ella Beatty, a personagem da série é apresentada como uma jovem submetida à repressão de uma família vitoriana e que encontra na violência uma forma de romper com a vida que levava. A produção, porém, combina acontecimentos históricos com elementos criados para a narrativa.
Na vida real, Lizzie foi julgada pelos assassinatos de Andrew e Abby Borden e acabou absolvida em 1893. Até hoje, não há uma resposta definitiva sobre quem cometeu os crimes.
Os assassinatos de Andrew e Abby Borden
Andrew e Abby Borden foram mortos em 1892. A quantidade de golpes sofridos pelas vítimas acabou sendo ampliada ao longo dos anos por uma conhecida rima em inglês associada ao caso.
Segundo os registros apresentados pela Netflix, Abby foi atingida 19 vezes e Andrew, 11. Na série, entretanto, os assassinatos são retratados de maneira mais violenta.
A produção também apresenta Lizzie e Bridget “Maggie” Sullivan, empregada da família, como responsáveis pelos crimes. Essa versão pertence à ficção criada para a série.
O caso real teve diferentes suspeitos e teorias, mas Lizzie foi a principal acusada e acabou absolvida.
Evidências usadas contra Lizzie
Alguns elementos apresentados pela série têm relação com acontecimentos reais do caso.
Um deles é a tentativa de Lizzie de comprar ácido. Na produção, o episódio é transformado em uma tentativa de matar os pais, com Lizzie provocando uma intoxicação após servir ostras estragadas.
Outro ponto incorporado à trama é o relato de que Lizzie teria queimado roupas com manchas de sangue. A série transforma o episódio em um acontecimento efetivamente comprovado dentro da narrativa.
O álibi de Maggie também é modificado. Na história real, ela afirmou que estava limpando as janelas. A produção transforma essa explicação em uma fachada para quem estivesse passando diante da residência.
Lizzie foi absolvida
O julgamento ocorreu em 1893 e terminou com a absolvição de Lizzie.
Durante a investigação, outras possibilidades foram consideradas, entre elas o tio materno de Lizzie, John Morse, um possível filho ilegítimo de Andrew e a própria irmã dela, Emma. Nenhuma dessas hipóteses, contudo, foi suficiente para afastar a desconfiança que permaneceu sobre Lizzie.
Mesmo depois da absolvição, parte dos moradores de Fall River continuou convencida de que ela havia cometido os assassinatos.
O que aconteceu com Lizzie depois do julgamento
Após ser inocentada, Lizzie permaneceu em Fall River, Massachusetts, e viveu por anos com a irmã Emma.
A relação entre as duas acabou rompida posteriormente. Um dos motivos apresentados na história foi a desaprovação de Emma ao relacionamento de Lizzie com a atriz Nance O’Neil.
Nance, de fato, tornou-se amiga de Lizzie. A amizade, porém, aconteceu em 1904, mais de dez anos depois do julgamento. Por isso, a série altera a cronologia ao colocar a atriz como alguém que auxilia Lizzie durante o processo.
Na vida real, quem orientou Lizzie durante o julgamento foram seus advogados. A defesa também explorou diante do júri a imagem de delicadeza feminina da acusada.
Depois da absolvição, Lizzie passou a ser evitada por parte da comunidade e encontrou companhia entre pessoas da alta sociedade, incluindo Nance O’Neil.
O assassinato de Bertha Manchester
A série acrescenta ainda o assassinato de Bertha Manchester à trajetória de Lizzie.
Na produção, Bertha é uma vizinha que maltratava Maggie e seu assassinato serve como uma espécie de preparação para o crime contra os Borden.
O episódio histórico, porém, ocorreu depois das mortes de Andrew e Abby, pouco antes do início do julgamento de Lizzie.
O imigrante português Jose Correa de Mello chegou a ser condenado injustamente pelo assassinato.
Aileen Wuornos e Elizabeth Báthory
A temporada também conecta a história de Lizzie a outras mulheres associadas a crimes violentos.
Elizabeth Báthory, nobre húngara acusada de matar jovens e de se banhar em sangue de virgens, aparece como uma das figuras usadas pela série como inspiração para Lizzie. A personagem é interpretada por Vicky Krieps.
Já Aileen Wuornos, interpretada por Sarah Paulson, surge em outro período da narrativa como uma assassina que se inspira em Lizzie.
Não há evidências, segundo o material da Netflix, de que a verdadeira Aileen Wuornos tivesse interesse nos assassinatos de Andrew e Abby Borden. A série, portanto, estabelece uma conexão ficcional entre as duas histórias.
Um elemento, entretanto, tem relação com a realidade: a antiga residência da família Borden, em Fall River, tornou-se posteriormente uma pousada.
O que a série muda na história real
Monstro: A História de Lizzie Borden parte de acontecimentos documentados, mas cria personagens, relações e situações para construir sua versão do caso.
Entre as principais diferenças estão a participação de Maggie nos assassinatos, a relação de Lizzie com os pais apresentada como abusiva, a tentativa de assassinato por meio de ostras contaminadas, a participação de Nance O’Neil no julgamento e a conexão narrativa com Aileen Wuornos e Elizabeth Báthory.
O caso histórico, por sua vez, permanece sem uma conclusão definitiva sobre a autoria dos assassinatos. Lizzie Borden foi julgada e absolvida em 1893, mas a suspeita sobre sua participação sobreviveu ao processo e ajudou a transformar seu nome em um dos casos criminais mais conhecidos dos Estados Unidos.

