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Onde Eu Começo?, dirigido por Mayana Neiva, ganha prêmio de Melhor Documentário, no Beverly Hills Film Festival

Ainda sem palavras pra descrever o que foi ganhar o prêmio de melhor documentário, pelo júri popular do the Beverly”, assim reagiu a paraibana Mayana Neiva, ao descobrir que “Onde Eu Começo?”, primeiro documentário dirigido por ela, foi escolhido como o melhor filme, no Beverly Hills Film Festival, nos Estados Unidos. Entre quase sete mil inscrições de 70 países o filme foi eleito pelo júri popular, que assistiu à estreia mundial, na última segunda-feira, 13.

 

“Um filme visto e reconhecido por um festival tão especial é a realização de um sonho. Um filme realizado de uma maneira quase artesanal sobre a história de meu avô um homem humilde no Sertão da Paraíba e a reflexão que seu legado deixa sobre o que de fato tem valor na vida, sobre o poder das relações verdadeiras e a ousadia de quem decidiu fundar uma família com toda inteireza e complexidade que isso implica. Muito obrigada ao público que veio e a todos os envolvidos nesse transbordo que esse prêmio trouxe para nosso coração”, publicou Mayana em seu perfil, em uma rede social.

 

O filme propõe uma reflexão sobre identidade, memória e afetos na contemporaneidade. Nesse contexto, a artista então radicada em Nova York, retorna ao sertão da Paraíba, em busca de suas origens, em um percurso que combina deslocamento geográfico e reencontro emocional com as suas raizes familiares em especial seus avós paternos: José e Eulália Neiva.

 

“Cada fotografia é um pedaço de pele autobiográfico, uma carta, um filme, um álbum de família”, diz Mayana.

 

“Às vezes é preciso refazer a curva do tempo, para entender onde a gente começa, o que é nosso, de verdade. Quando percebi que estava longe demais de mim, eu senti que era tempo de voltar”, completa a artista, que atualmente vive um dos melhores momentos da sua carreira.

 

O show “Tá Tudo Aqui Dentro”, no qual presta uma homenagem às mulheres, vem percorrendo o Brasil, com excelente aceitação do público. Com a palestra “A Felicidade Não Está Lá Fora”, Mayana discute temas relacionados à natureza da mente, meditação e criatividade e faz um convite para o reencantamento da vida.

 

Sobre o filme

Dirigindo o seu primeiro filme, a atriz e cantora Mayana Neiva registra inquietações sobre os afetos na vida moderna e propõe, numa narrativa introspectiva, um encontro com suas origens. Num tempo reverso ao biográfico, a artista radicada em Nova York decide retornar. Da moderna metrópole ao sertão da Paraíba, o percurso é geográfico e afetivo e o que se persegue são fragmentos de história: “Às vezes é preciso refazer a curva do tempo para entender onde a gente começa, o que que é nosso de verdade. Quando eu percebi que estava longe demais de mim, eu senti que era tempo de voltar.”, afirma a diretora sobre a motivação do projeto.

 

A busca conduz a artista ao amor dos avós. O nexo constituído pelas fotografias forja nas paragens memorialísticas o mito da paisagem inicial. A narrativa de Mayana se mistura a narrativa familiar e a história se ramifica num continuum que remete a um passado, mas que também imagina futuros possíveis.

 

Imagem: Divulgação

O questionamento inicial “De onde eu começo?” se desdobra numa reflexão inquietante sobre as relações na atualidade: como fazer caber no frenesi da vida hiper conectada e contemporânea, o tempo diminuto e silencioso dos afetos?

 

O gesto que o curta traça é o passeio por um álbum de família em que a memória é ao mesmo tempo ancoragem e invenção. Embora trate-se de um documentário, na voz da própria artista o que nasce, mais do que um encontro consigo, é uma invenção de si. A experiência intimista forja uma experiência artística: imagem sobre imagem e a palavra costura o que o preto e branco das fotos insinua. Recria-se a história dos avós, o nascimento do amor, a história de si. O desejo de inventar, de existir, de falar de amor em tempos hostis, são questões ineludíveis que se armam no correr dos minutos.

 

A linguagem do filme também encarna a dialética do tempo, por um lado as fotos em preto e branco, a melodia de Ataulfo Alves cantada pela avó, as festas de família; o tempo lento. Por outro lado, a celeridade da montagem, imagens que se sobrepõe, aparecem e desaparecem, sucedem-se e se dissipam. É o forcejo entre o perene da fotografia e a fugacidade da imagem, entre o tempo lento dos afetos e a efemeridade dos encontros.

 

“Cada fotografia é um pedaço de pele autobiográfico, uma carta, um filme, um álbum de família.”

 

O roteiro é assinado por Mayana Neiva em parceria com Duda Casoni, que também responde pela montagem. A produção executiva é de Mayana Neiva e Vladimir Neiva, com coprodução da Ladaia Filmes Pedro Formigoni e André Bulscoshi. A direção de fotografia é de Kennel Roggis, enquanto as imagens de arquivo são de Vladimir Neiva e José Neiva.

 

Completam a equipe Patrícia Menezes, responsável pela identidade visual; Magi Batalla, na finalização de som; e Gabriella Fischer, na gestão de eventos. O elenco conta com participações de Inaldo Torres e Rafael Soares Nunes.

 

A participação no festival marca o início da circulação do filme por Festivais de cinema e mostras especializadas, estratégia comum em produções independentes. Ainda não há confirmação de lançamento comercial no Brasil, seja em salas de cinema ou plataformas de streaming.

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