Já está disponível em todas as plataformas digitais o álbum “Bocaberta”, primeiro registro de estúdio do grupo PriCler e as Panteronas. Lançado pela gravadora Taioba Music nesta terça-feira (3), o trabalho é o ponto de virada na trajetória de PriCler, que mergulha em composições autorais para consolidar seu espaço na cena musical contemporânea.
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“Este álbum começou a nascer antes mesmo de eu saber que um dia ele existiria”, conta Pri. O poema mais antigo que deu origem a uma das faixas, Amor Cagado, foi escrito em 2015. A decisão de mergulhar na composição veio anos depois, em 2021, motivada pela participação no Festival de Música da Paraíba e também por uma inquietação: a disparidade de gênero entre compositores e compositoras no evento. “Isso me deu vontade de compor pra diminuir essa diferença”, relembra.
Em 2021, Pri participou do festival com a canção Mardoce, que integra o álbum. No ano seguinte, voltou à disputa com Bocaberta e conquistou o primeiro lugar. Foi a partir dessa vitória que conheceu Pedro Medeiros, parceiro fundamental na construção do projeto. “A partir deste encontro maravilhoso, novas músicas foram surgindo, outras pessoas foram se chegando e assim nasceu PriCler e as Panteronas”, explica a vocalista.
O que inicialmente seria um EP com seis faixas ganhou novos contornos em 2025, quando a dupla voltou ao Festival de Música da Paraíba com a faixa Deixa eu cantar aqui, que rendeu à PriCler mais um primeiro lugar no concurso. A faixa tornou-se a sétima música do projeto e consolidou também a parceria com a Taioba Music. Com o incentivo da gravadora, o EP cresceu e se transformou em álbum.
“Quem diria lançar meu primeiro álbum aos 41 anos de idade?”, celebra PriCler. “Estou muito feliz com tudo isso.”
Rock safado, poesia e rasgo de mordaça
Se precisasse resumir o disco em uma frase, PriCler não hesita: “Boca de mulher tem força e rasga a mordaça.”
Autodefinido como um “rock safado”, Bocaberta carrega múltiplas camadas sonoras e conceituais. A teatralidade, marca da trajetória de Pri nos palcos, atravessa o trabalho, assim como a literatura e a poesia, já que várias canções nasceram de textos autorais da artista. Musicalmente, o álbum dialoga com referências diversas como Rita Lee, Tom Zé, Arrigo Barnabé, Tetê Espíndola, Chico César, Cátia de França, Sepultura, Crypta, Papangu e Ednaldo Pereira, criando uma identidade que mistura irreverência, experimentação e peso.
O disco provoca sensações ambíguas e complementares: de um lado, diversão, dança e safadeza; do outro, revolta e reflexão. Entre os temas abordados estão a violência contra a mulher, as tensões do fazer artístico e os desafios de viver de arte no Brasil.
“O disco se chama Bocaberta porque estou num momento da vida muito cansada de ser silenciada e até de me silenciar para ‘evitar a fadiga’. Eu tenho muita coisa a dizer e digo essas coisas no disco”, afirma.
Bocaberta é resultado de anos de maturação artística, encontros decisivos e coragem criativa. Um trabalho que nasce da palavra, ganha corpo no palco e agora ecoa nas plataformas como um manifesto aberto e de boca aberta.