O protagonismo feminino na cena independente ganha voz em João Pessoa com o Festival Grito de Olga!, que acontece no dia 6 de março. Realizado na Caravela Cultural, no Centro, o evento celebra o Dia Internacional da Mulher através do punk, metal e rock alternativo. Com bandas formadas exclusivamente por mulheres, o festival se posiciona como um ato de resistência e visibilidade para a produção musical alternativa feita por elas.
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Mais do que um festival, o Grito de Olga! É uma homenagem à trajetória de Olga Costa, jornalista musical, radialista e ativista fundamental para a construção da cena alternativa paraibana que partiu em 21 de janeiro deste ano. Olga utilizou o rádio e a palavra como ferramentas de difusão cultural, formação de público e resistência, tornando-se uma referência para gerações de artistas e comunicadoras. O festival carrega seu nome como símbolo de atitude, escuta ativa e ocupação cultural, princípios que marcaram sua atuação à frente de projetos como Microfonia e Jardim Elétrico.

FlauFlau (Foto: Reprodução)
O festival é criado e produzido pelas comunicadoras e jornalistas Jorja Moura (Morcegona Prod) e Beatriz Jarry (Mortífera Mag), que atuam diretamente na divulgação, fortalecimento e construção da música independente em João Pessoa e na Paraíba. Atualmente, ambas se consolidam como as únicas jornalistas da cidade com atuação contínua e explícita ligada ao rock e seus subgêneros, em um cenário historicamente marcado pela predominância masculina.
Jorja Moura dialoga diretamente com a vida noturna e a cena underground da capital paraibana, unindo seu trabalho como DJ, jornalista e produtora cultural. Como mulher trans, sua atuação carrega um posicionamento político e simbólico, tornando-se referência ao dialogar de forma direta com o público feminino e LGBT+ dentro de um ambiente tradicionalmente excludente do rock paraibano.
Já Beatriz Jarry atua na divulgação, assessoria e comunicação de bandas e artistas locais, além de colaborar com diversas páginas e veículos de música independente em âmbito nacional. Para Beatriz, o Festival Grito de Olga! representa um gesto necessário e tardio: um evento que deveria ter sido realizado ainda em vida por Olga Costa, mas que esbarrou, por anos, no machismo estrutural do cenário rock e metal de João Pessoa. Segundo ela, realizar um festival com produção feminina e bandas formadas por mulheres é dobrar os desafios e se posicionar frontalmente contra essa lógica.

Long Way Home – Divulgação
Beatriz também destaca que “Grito de Olga! é a prova de que não é preciso “mendigar espaço” ou validação de produtores homens para que projetos liderados por mulheres aconteçam. É sobre fazer, sustentar e lidar com as opiniões”, afirma, postura que dialoga diretamente com a trajetória de Olga Costa, que construiu seus projetos com autonomia, enfrentamento e persistência ao longo de anos.
O line-up reúne quatro projetos paraibanos autorais que dialogam com diferentes vertentes do rock contemporâneo: FlauFlau, Halfway Dead, Long Way Home e Matriarcaos. Na abertura, Jorja Moura comandará sets que passeiam por referências do punk, riot grrrl, grunge e rock alternativo.
Ao propor um espaço onde mulheres ocupam o palco, o som e o discurso, o Grito de Olga! se afirma como um marco na cena cultural de João Pessoa, tornando-se o único evento do gênero que aborda a pauta feminista e integração das mulheres no cenário musical da cidade voltado ao Rock.