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Elefante da Torre: 30 anos de rua, memória e poesia rimada

 

Em 1996, um elefante começou a caminhar pelas ruas da Torre. Não veio do circo nem do imaginário distante: nasceu do chão do bairro, das brincadeiras de infância, dos tambores improvisados, das máscaras feitas à mão e da vontade coletiva de brincar e resistir. Trinta anos depois, em 2026, o Bloco Elefante da Torre celebra sua trajetória homenageando a Literatura de Cordel Paraibana, reafirmando que o Carnaval é também palavra, memória, pertencimento e transmissão de saberes entre gerações.

No sábado, 14 de fevereiro, durante o tradicional Sábado de Zé Pereira, o Elefante ocupa o cruzamento da Rua Geminiano da Franca com a Avenida Rui Barbosa, no coração da Torre. O bairro se transforma em território de frevo, samba, poesia, artes visuais e cordel, tendo como inspiração o clássico “O Romance do Pavão Misterioso”, símbolo da imaginação popular nordestina e da força da narrativa rimada.

“O Elefante é preservar aquilo que a gente viveu e passar para quem vem depois. Cultura é conhecimento que atravessa gerações”, afirma Flauber Santos, fundador, idealizador e presidente do bloco.

A história do Elefante da Torre é feita de imagens que atravessam o tempo. Uma delas é o elefante gigante, construído dentro da Universidade Federal da Paraíba, no setor de Artes, que cruzou a cidade à noite, acompanhado por moradores, carros, buzinas e música, até chegar ao bairro onde o bloco nasceu. Um gesto que simboliza o encontro entre universidade, arte e cultura popular — marca que acompanha o Elefante até hoje.

Nascido da convivência com os blocos de rua, os ursos carnavalescos, as batucadas, o coco de roda e as manifestações da Torre Folclórica, o Elefante preserva até hoje a ala ursa, memória viva de uma cultura feita no improviso, no afeto e no fazer coletivo.

Durante muitos anos, o Elefante foi bloco de arrasto, cortando ruas da Torre, saindo da Praça São Gonçalo, cruzando a cidade e vivendo trajetos históricos, como a volta completa na Lagoa do Parque Solon de Lucena ou o encontro com o bloco Muriçoca, na Avenida Epitácio Pessoa. Hoje, acontece em formato fixo, sem romper com a rua, mas dialogando com novos tempos.

Para celebrar seus 30 anos, o Elefante realiza a entrega simbólica de 30 comendas aos Filhos e Filhas da Torre — trabalhadores, artistas, comerciantes, donas de casa, operários e sonhadores que ajudaram a construir a história do bairro e do Carnaval popular.

A palavra ocupa lugar central nesta edição comemorativa. Ao longo do dia, o público acompanha recitais de poesia, a presença de poetas de João Pessoa e do Brejo Paraibano — de cidades como Guarabira, Araruna e Mulungu — além de tendas para venda de livros e cordéis, fortalecendo a economia criativa e dando visibilidade aos autores populares.

A música, como sempre, conduz os passos do Elefante. O bloco possui um repertório autoral, com canções que se tornaram hinos e traduzem o espírito da agremiação, compostas por artistas da cidade e do bairro. A programação musical percorre o dia inteiro, misturando frevo, samba, música popular e participação de artistas convidados.

Programação completa – 14 de fevereiro

Às 10h, o Elefante abre a festa com poetas e manifestações populares, marcando o início de um dia dedicado à palavra, ao som e à rua.

Das 11h30 às 13h30, acontece o Recital de Poesia, com Aroldo Camelo, Chico Mulungu, Robson Jampa, Bento Júnior, Irani Medeiros e outros poetas convidados, seguido da entrega das 30 comendas aos Filhos e Filhas da Torre.

Às 13h30, quem assume o som é Kojak do Banjo, abrindo a sequência musical da tarde.

Às 15h30, a Orquestra Porta do Sol toma a rua com frevo e sopro, fazendo o bairro dançar.

Às 17h30, é a vez de Helton Souza, mantendo o clima de celebração até o entardecer.

Ao longo da programação, o palco recebe participações especiais de PS Carvalho, Byaia, Dida Fialho e Kennedy Costa, artistas que dialogam com a história musical do Elefante da Torre.

Porque o Elefante da Torre não é apenas um bloco.
É um corpo coletivo que caminha, uma memória que toca, uma poesia que ocupa a rua.
Há 30 anos, ele passa — e continua passando.

Serviço

Elefante da Torre | 30 anos
📅 14 de fevereiro de 2026 – Sábado de Zé Pereira
10h às 21h
Concentração na PANIFICADORA IMPERIAL por trás do Restaurante Canelle

📍 Cruzamento da Rua Geminiano da Franca com a Avenida Rui Barbosa – Torre

🎭 Tema: Literatura de Cordel Paraibana – O Romance do Pavão Misterioso

Aluguel de Mesas: (83) 98828-3018

 

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