Ancelotti vê eliminação como ‘início de um novo ciclo’ com renovação da equipe e minimiza clima de terra arrasada

Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira • Rafael Ribeiro/CBF
Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira • Rafael Ribeiro/CBF

A eliminação da Seleção Brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega nesse domingo (5), não alterou a confiança do técnico Carlo Ancelotti no trabalho desenvolvido. Em entrevista após a partida, o treinador italiano afirmou que o revés representa o começo de uma nova etapa para a equipe nacional, e não o encerramento de um projeto.

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Mesmo reconhecendo a frustração pela queda precoce no torneio, Ancelotti avaliou que o Brasil fez uma campanha consistente e acredita que o desempenho diante dos noruegueses poderia ter resultado em classificação.

“É óbvio que estamos profundamente tristes, porque acho que o time até agora não fez um Mundial espetacular, mas um bom Mundial. Acho que no jogo de hoje poderia ganhar. E quando acontece um momento assim, você tem que pensar que uma derrota é uma nova aventura, uma nova temporada. Temos que continuar trabalhando, melhorando, encontrar novas ideias. Eu acho que não é o fim, é um princípio de um novo ciclo essa derrota”, declarou.

Técnico explica escolha de Bruno Guimarães para cobrança de pênalti

Um dos momentos decisivos da partida foi o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães, ainda no primeiro tempo, quando o placar permanecia zerado. Questionado sobre a escolha do volante como cobrador, Ancelotti explicou que a decisão foi baseada em análises estatísticas realizadas pela comissão técnica.

Segundo ele, Neymar era o principal cobrador da equipe, seguido por Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli. Como apenas Bruno estava entre os atletas em campo naquele momento, a responsabilidade ficou com o volante.

“Fizemos uma estatística de um ano dos jogadores rivais e também dos nossos. O melhor era Neymar, Igor Thiago, Raphinha e depois, Bruno Guimarães. E depois, Martinelli. Escolhemos Bruno porque pensamos que era o melhor no campo”, afirmou.

Ancelotti diz que Brasil controlou o jogo durante boa parte da partida

Na avaliação do treinador, a Seleção conseguiu controlar as ações durante aproximadamente 70 minutos e criou oportunidades suficientes para sair vencedora. Para ele, a Noruega conseguiu equilibrar o confronto graças à organização defensiva e à qualidade individual de Erling Haaland.

“Eu acho que o jogo, por uma parte, foi um bom jogo. Tivemos muita oportunidade na primeira parte, na segunda também, quando o jogo estava 0 a 0. Tivemos oportunidade. Depois, as trocas eram para dar mais frescura, para dar mais profundidade, para tentar ganhar o jogo”, analisou.

Sobre a estratégia adotada, o italiano explicou que optou por não pressionar a saída de bola adversária para evitar espaços que favorecessem o atacante norueguês.

“Era muito mais complicado fazer pressão alta porque o jogo da Noruega colocava muitos jogadores atrás, baixava muito o Odegaard. Então, fazer uma pressão muito alta era um risco para a velocidade de Haaland de um contra um.”

Trabalho seguirá com foco na renovação da equipe

Com contrato renovado antes do Mundial, Ancelotti garantiu que continuará à frente da Seleção Brasileira e afirmou que o objetivo agora é corrigir erros, buscar novas soluções e dar sequência ao processo de renovação.

“Eu posso dizer que vamos continuar trabalhando para esta seleção, tentando melhorar, tentando buscar novas ideias. É o mesmo que fizemos neste ano. O trabalho foi bom. O futebol ou o esporte é assim. Às vezes, você tem que gerir a tristeza de uma derrota. Estou bastante acostumado a isso. Vamos gerir esta derrota com o novo impulso, o trabalho e a avaliação dos jogadores.”

O treinador também agradeceu o empenho do elenco durante a competição e lamentou o resultado, destacando o ambiente criado dentro da delegação.

“É uma experiência, pela minha parte, de desilusão. Porque estávamos muito tristes, mas foi uma experiência bonita, nós criamos um bom grupo, agradecer aos jogadores que trabalharam muito bem, que criaram um bom ambiente. Mas nem sempre no esporte tudo está perfeito. Eu acho que o esforço de hoje não se merecia perder, mas temos que avaliar também o time rival.”

 

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