Mano e Índio Ramírez prestam depoimento ao STJD sobre acusação de injuria racial

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O técnico Mano Menezes, atualmente sem clube, e o meia Índio Ramírez, do Bahia, prestaram depoimento por vídeo-conferência ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), na tarde desta quarta-feira, sobre a acusação de injúria racial feita por Gerson, do Flamengo – não houve transmissão da audiência. O inquérito corre em sigilo e o relator Maurício Neves Fonseca terá até o próximo dia 11 para dar um parecer sobre o inquérito.

– Os detalhes não posso passar, pois o inquérito corre em sigilo. O que posso falar, do inquérito policial, e que o depoimento de Ramírez é um só. É o espelho do que foi o vídeo que ele publicou. Temos muita tranquilidade em reação a inocência de Ramírez, ausência de conduta que seja racista ou injúria racial. Temos muita tranquilidade nesse sentido. Nossa posição, do Esporte Clube Bahia, que vem acompanhando o caso, é que não vemos maiores elementos em relação a isso. O próprio inquérito policial não traz nada demais. Não há testemunha que teria ouvido Ramirez falar. O que existe é um atleta que viu que houve um diálogo. O atleta está tranquilo, prestou um bom depoimento. Falou tudo o que ocorreu, de acordo com sua percepção. Percepção de quem acompanhou o jogo, em suma, tenho confiança que o STJD vai reconhecer a inexistência de qualquer conduta infracional e por um termo final nisso – disse ao ge o advogado Milton Jordão, que representa o Bahia.

Pela manhã, estava programado os depoimentos presenciais de Gerson, Bruno Henrique e Natan, os dois últimos convocados como testemunhas. Porém, o trio não compareceu à sede do STJD, no Rio de Janeiro. O Flamengo informou que os atletas estão concentrados para a partida de quinta, contra o Vasco, pelo Brasileirão.

A investigação foi aberta no dia 14 de janeiro a pedido da Procuradoria do STJD. No último dia 25 de janeiro, segunda-feira retrasada, o tribunal tomou os depoimentos do trio de arbitragem da partida e do delegado da partida, Marcelo Vianna. A Procuradoria do STJD informou que, concluído o inquérito, vai analisar uma possível infração por parte do Flamengo pelo não comparecimento dos jogadores à audiência.

O caso

 

Gerson acusou Ramírez de injuria racial em partida realizada no mês de dezembro de 2020 — Foto: reprodução/vídeo

Gerson acusou Ramírez de injuria racial em partida realizada no mês de dezembro de 2020 — Foto: reprodução/vídeo

 

Gerson acusa Ramírez de ter cometido injúria racial na vitória do Flamengo por 4 a 3 sobre o Bahia, no dia 20 de dezembro do ano passado, pela 26ª rodada do Brasileirão. Depois do fim do jogo, o volante afirmou em entrevista que ouviu “cala boca, negro!” do jogador colombiano.

– Tenho vários jogos pelo profissional e nunca vim na imprensa falar nada porque nunca tinha sofrido preconceito, nem sido vítima nenhuma vez. O Ramirez, quando tomamos acho que o segundo gol, o Bruno fingiu que ia chutar a bola e ele reclamou com o Bruno. Eu fui falar com ele e ele falou bem assim para mim: “Cala a boca, negro”. Eu nunca falei nada disso, porque nunca sofri. Mas isso aí eu não aceito – disse Gerson, que em seguida publicou um manifesto nas redes sociais.

No dia seguinte, Ramírez se defendeu das acusações em um vídeo divulgado pelo próprio Bahia. O jogador chegou a ser afastado pelo clube, mas depois foi reintegrado.

– Em nenhum fui racista com nenhum dos jogadores, nem com Gerson, nem com qualquer outra pessoa. Acontece que quando fizemos o segundo gol botamos a bola no meio do campo para sair rapidamente e o Bruno Henrique finge e eu arranco a correr e eu digo a Bruno que” jogue rápido, por favor”, “vamos irmão, jogar sério”. Aí ele joga a bola para trás e Gerson, não sei o que me fala, mas eu não compreendo muito o português. Não compreendi o que me disse e falei “joga rápido, irmão”. Aí passo por ele e sigo a bola. Não sei o que ele entendeu, o que ouviu. Ele jogou a bola e passou a me perseguir sem eu entender o que passava. Dei a volta por trás porque não queria entrar em briga com ninguém e depois ele sai falando que o tratei com “cale a boca, negro” falando português quando eu realmente não falo português. Estou apenas alguns meses no Brasil e sobre isso de ser racista não estou de acordo, porque isso não é bem visto em nenhuma parte do mundo e sabemos que todos somos iguais e em nenhum momento falei isso e menos ainda usei essa palavra – disse o colombiano.

Só depois de ouvir as partes é que a Procuradoria do STJD concluirá a investigação para decidir se fará a denúncia sobre o caso ou não. O caso pode ser enquadrado no Art. 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva: praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência:

A pena prevê suspensão de cinco a dez partidas, se praticada por atleta, mesmo se suplente, treinador, médico ou membro da comissão técnica, e suspensão pelo prazo de 120 a 360 dias, se praticada por qualquer outra pessoa, além de multa, de R$ 100 a R$ 100 mil.

Na comunicação feita pelo Flamengo, Gerson afirmou que a injúria foi ouvida pelo zagueiro Natan. Bruno Henrique também foi citado como tendo tido uma discussão com Ramírez. O jogador do Bahia negou a acusação.

Além da esfera esportiva, o caso é também investigado na esfera criminal pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

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