Ex-superintendente da Polícia Civil diz que sofreu pressão para tirar delegado da Operação Cartola

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Quase dois anos depois de se tornar pública, a Operação Cartola – que investigou supostos casos de corrupção no futebol paraibano em 2018 – ganhou uma novidade nesta quinta-feira. O delegado Marcos Paulo Villela, que era superintendente da Polícia Civil da Paraíba à época, revelou que foi pressionado para tirar o delegado Lucas Sá do comando das investigações, em parceria com o Ministério Público, sobre possíveis esquemas de manipulação de resultados no futebol da Paraíba. A declaração de Villela foi dada em entrevista à Rádio CBN Campina e reproduzida pelo jornalista João Paulo Medeiros em seu blog, o Pleno Poder, no Jornal da Paraíba.

Vice-presidente da Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba (Adepdel), Villela concedeu entrevista ao jornalista João Paulo Medeiros e explicou como se deu a pressão para afastar o delegado Lucas Sá do cargo.

– Lucas Sá, na época que ele estava na (Delegacia de) Defraudações (de João Pessoa)… eu era o então superintendente. Nós saímos de uma delegacia com oito policiais para 23. A gente entendia que deveríamos investir porque era uma delegacia que poderia fazer essa contribuição. E toda a sociedade sabe o que aconteceu. Não só ele foi exonerado, como eu também. Até porque em vários momentos me pediram para tirar, e eu disse que não tiraria o delegado que estava fazendo o seu trabalho de maneira correta e, para tirá-lo, teria que me tirar também. E foi isso que aconteceu – afirmou o ex-superintendente, em entrevista à Rádio CBN.

A reportagem procurou a Delegacia Geral de Polícia Civil, que se pronunciou através da assessoria de imprensa. Sobre a denúncia do ex-superintendente, de que foi pressionado para exonerar o delegado Lucas Sá do comando da Operação Cartola, a assessoria informou que “a Delegacia Geral de Polícia Civil da Paraíba desconhece o fato narrado pelo delegado Marcos Paulo Villela”.

O delegado Lucas Sá foi exonerado da Delegacia de Defraudações e depois pediu afastamento temporário do cargo, ficando fora do comando das investigações da Operação Cartola. Ele também foi alvo de uma sindicância, instaurada pela Corregedoria da Polícia Civil.

A Operação Cartola é considerada a maior ação de combate à corrupção no futebol nos últimos anos no Brasil. Foram oito meses de investigações e mais de 105 mil ligações gravadas com autorização judicial. O Ministério Público já apresentou três denúncias contra 27 pessoas envolvidas no esquema. Vários dirigentes do futebol paraibano foram afastados e a direção da Federação Paraibana de Futebol (FPF) modificada após as investigações.

Escrito por: Angelo Medeiros

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