O telefone toca, o visor exibe o nome de Renato Portaluppi, e Cícero atende a chamada com a mesma prontidão demonstrada para aceitar o convite que viria a seguir. O técnico acena com a possibilidade de defender as cores do Grêmio nos duelos decisivos pela Libertadores até o fim do ano. De Porto Alegre, ouve um “sim” imediato. O meia viu na proposta a chance de deixar para trás os atribulados meses anteriores, de ostracismo no São Paulo, para revisitar um capítulo inacabado de sua carreira, para um acerto de contas histórico. E que enfim pode ter um desfecho feliz, com a chance da conquista do tri da América.
No clube gaúcho, o jogador de 33 anos reencontra o treinador, seu velho conhecido, com a missão de agregar um título que ambos perseguem às suas carreiras há quase uma década. Em 2008, Cícero era titular do Fluminense de Renato, vice-campeão com uma dolorida derrota nos pênaltis para a LDU, em pleno Maracanã lotado. Nove anos mais tarde, as lembranças daquela noite traumática ainda circundam seus pensamentos, como uma questão inacabada.
“Aquele momento foi muito frustrante. Para todo mundo, o título estava na mão do Fluminense. Pensei em voltar lá atrás, estar com o Renato de novo, podendo estar em uma decisão de Libertadores. E aconteceu. Posso terminar o que ficou lá atrás” (Cícero).
O meia quer aparar uma aresta que o incomoda desde então. E já teve até espaço para dar sua contribuição dentro de campo. Contratado como homem de confiança de Renato, o meia desembarcou em Porto Alegre com a missão de prolongar sua estadia em 2017 por até seis partidas, todas decisivas pela Libertadores e por um eventual Mundial. E já atuou duas vezes nos duelos da semifinal.
Cícero chegou a ser titular no jogo da volta, com uma derrota irrisória por 1 a 0 na Arena, no último dia 1º. Desde então, convive com uma ansiedade latente para pisar o gramado novamente em uma decisão de Libertadores, como deixou claro em cerca de 20 minutos de entrevista.
Com a seriedade visível em seu olhar focado, o meia falou sobre a expectativa de enfim botar as mãos na taça de campeão da América, que norteia todos os seus esforços. E ainda abordou outras questões, como a eventual permanência no Tricolor para 2018 e a saída conturbada do São Paulo.

