“O problema é o seguinte: o Treze é um time pequeno. Acham grande, mas eu não acho um time grande”.
Talvez tenha sido essa a declaração mais forte em meio ao desabafo do médico Nélbi Fernandes, que anunciou sua saída do Treze em longa entrevista à Rádio Clube AM nesta quarta-feira (08).
O ortopedista, que além de chefiar o Departamento Médico do Galo há vários anos, é um dos colaboradores financeiros do clube, fez revelações bombásticas durante quase uma hora de participação em um programa da emissora.
– Chegou um momento que eu não dava mais nem boa noite ao técnico Givanildo Oliveira. O problema era que eu determinava que o jogador ficasse em tratamento e quando chegava no PV eles estavam treinando. Alan Bahia passou um tempo fazendo tratamento de uma lesão, eu recomendei que ele continuasse vetado, mas o treinador o escalou para jogar contra o CRB. Ele acabou sofrendo outra lesão e ficou chorando dentro de campo – relatou Nélbi, depois de afirmar que já fez de tudo pelo Treze, inclusive chegou a “viajar infartado” para ajudar o clube.
O técnico Vica, vice-campeão com o Alvinegro em 2013, também foi bastante criticado pelo médico e abnegado trezeano.
Nélbi contou que antes da decisão do Paraibano do ano passado contra o Botafogo-PB, por exemplo, o treinador solicitou à diretoria que os 15 jogadores contratados para a Série C estivessem em Campina Grande.
Isso porque o calendário estava apertado e o Treze já estrearia cinco dias depois na Terceirona.
– Ele (Vica) pediu que Zé Wilton (ex-diretor de Futebol) trouxesse os 15 jogadores contratados para ficarem junto com os que iam decidir o campeonato. Como é que ia ficar a cabeça desses jogadores que iam decidir o campeonato? E Zé chegava e dizia: Joba (ex-gerente de Futebol), diga que não tem passagem, diga que não tem hotel. Zé Wilton ficava feito um louco, correndo, mentindo. Como é que o Treze tinha 28 jogadores e iam chegar 15? – desabafou.
Depois de toda a “lavagem de roupa suja”, o agora ex-chefe do DM galista explicou que não trouxe essas polêmicas a público antes por medo de o Treze entrar numa crise ainda maior e ele acabar sendo considerado o responsável pela situação.
– Eu fico muito triste. Eu queria sair do Treze ano passado, com o time na Série C, porque eu ia sair por cima. Meus amigos próximos sabem disso, o que a gente gastou, trabalhou para o Treze subir. Mas infelizmente estou deixando o Treze numa época terrível. Porém não tenho mais saúde e nem condições de estar deixando meu nome exposto num ambiente que eu não consegui resolver o problema – comentou.
Em novembro, o Treze deve passar por processo eleitoral para escolha da novas formações do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva.
O nome do atual vice-presidente, o empresário Hênio Azevedo Galdino, deve ser o escolhido para gerir o Galo no biênio 2015/2016.
