Em Brasília, Dilma Rousseff recebe Tinga e árbitro vítima de racismo

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A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta quinta-feira, no Palácio do Planalto, em Brasília, o volante Tinga, do Cruzeiro, e o árbitro gaúcho Márcio Chagas da Silva, que foram vítimas recentemente de ofensas racistas em estádios de futebol. O encontro foi realizado a pedido da própria presidente.

Além do jogador e do árbitro, também participaram da reunião o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a ministra Luiza Bairros, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República. A presidente conversou com todos e recebeu de Tinga um livro e uma camisa do Cruzeiro. Atleticana, Dilma brincou com os presentes.

– O povo do Atlético vai me matar – disse a presidente sorrindo.

O volante Tinga foi hostilizado por torcedores do Real Garcilaso, do Peru, durante partida do Cruzeiro pela Libertadores, no dia 12 de fevereiro. Na ocasião, torcedores do time peruano ficaram imitando sons de macaco a cada toque do volante cruzeirense na bola.

Já o árbitro Márcio Chagas da Silva encontrou bananas no seu carro após partida entre Esportivo e Veranópolis, pelo Campeonato Gaúcho, no dia 6 de março (acompanhe agora o julgamento do Esportivo, denunciado por racismo, em Tempo Real).

Outro caso de racismo no Brasil também foi registrado recentemente. O volante Arouca, do Santos, foi chamado de macaco por torcedores no momento em que concedia entrevista após a vitória por 5 a 2, sobre o Mogi Mirim, pelo Campeonato Paulista, no dia 7 de março.

Dilma Rousseff já havia demonstrado solidariedade aos jogadores e ao árbitro por meio de sua conta oficial no Twitter. O ministro Aldo Rebelo também chegou a fazer contato com autoridades da Conmebol e dos Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, onde ocorreram os outros casos, para cobrar providências.

Investigações

Os três casos de racismo tiveram processos de investigação abertos por autoridades esportivas. No caso do jogador Tinga, a Conmebol abriu um inquérito disciplinar contra o time do Real Garcilaso, mas nenhuma punição foi confirmada até o momento. Entre as possibilidades previstas no regulamento da entidade, estão multa, jogos com portões fechados e até mesmo a exclusão da competição.

No caso envolvendo o árbitro gaúcho, o Esportivo, mandante da partida, será julgado nesta quinta-feira pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Rio Grande do Sul e pode receber multa e perder pontos no campeonato. Já com relação às ofensas racistas sofridas pelo volante Arouca, o Mogi Mirim foi denunciado ao Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP).

As denúncias, nos casos de Esportivo e Mogi Mirim, baseiam-se no artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que aponta: “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. Existem diversas punições previstas, desde ações financeiras – multa de R$ 100 a R$ 100 mil -, a questões esportivas, como perda de pontos – referentes à quantidade de partidas que o fato se sucedeu – e até exclusão dos campeonatos. O TJD-SP ainda interditou o Estádio Romildo Ferreira até o julgamento do caso, que também encaminhado ao Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância), de São Paulo.

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