A imprevisibilidade de um jogo de vôlei, que pode durar uma ou quatro horas, é um problema histórico da modalidade nas negociações de transmissão na TV. Sem saber exatamente quanto tempo reservar à grade de programação, as emissoras costumam relutar em passar jogos por conta de compromissos comerciais já estabelecidos.
Pensando em diminuir o tempo de partida e assim ganhar mais espaço, o esporte vem promovendo algumas mudanças drásticas ao longo dos últimos anos. Depois de acabar com a vantagem no ano 2000, uma nova alteração de peso está em discussão: sets menores, de 21 pontos, quatro a menos que os atuais 25.
O novo sistema de pontos começou a ser testado na última quinta (13), durante a Liga Europeia de seleções, mas, segundo o técnico da seleção feminina José Roberto Guimarães, pode entrar em vigor já na próxima Superliga de vôlei, programada para começar em setembro:
– Em uma das reuniões que tivemos (técnicos, jogadores, dirigentes e CBV), se falou sobre isso, que possivelmente seria testado e talvez já fosse adotado na próxima Superliga.
Na “estreia” da mudança, a Eslováquia demorou apenas 58 minutos para bater a Dinamarca com parciais de 21-15, 21-19 e 21-16, um tempo baixo em relação a partidas encerradas em três sets no sistema tradicional. Para efeito de comparação, nas Olimpíadas de Londres, a seleção masculina do Brasil demorou 1h15 para fazer 25-17, 25-21 e 25-18 na frágil Tunísia.
Tricampeão mundial e três vezes medalhista olímpico com a seleção brasileira, o meio-de-rede Rodrigão gostou da ideia:
– Além do aspecto competitivo, o esporte é também um grande produto. Vendo por esse lado, não podemos mais ignorar que os jogos devem se tornar mais atrativos para as TVs. Por isso, é importante que o vôlei procure se adaptar para proporcionar a realização de partidas que não ultrapassem duas horas de duração. Essa experiência dos sets de 21 pontos é válida e, se a avaliação for favorável, pode ser adotada como regra definitiva da modalidade
Zé Roberto também é simpatizante:
– É fato: o vôlei no Brasil cresceu porque a TV ajudou muito. Eu não vejo problemas nessas mudanças e a gente vai chegando em uma coisa boa para todo mundo.
Além dos sets menores, outra alteração está sendo testada na Liga Europeia: o máximo de três paradas por set (uma para cada técnico e no 12º ponto). Também está em pauta o limite de 15 segundos para o jogador sacar e a introdução do cartão vermelho, que tira um ponto do time do jogador que o tomou, deixando o amarelo, que atualmente exerce essa função, valendo apenas como advertência.

