Necessidade de financiamento do Governo Geral sobe para 9,21% do PIB no 2º trimestre de 2026

Necessidade de financiamento do Governo Geral sobe para 9,21% do PIB no 2º trimestre de 2026
(Foto: Rafa Neddermeyer / Agência Brasil)

A necessidade líquida de financiamento do Governo Geral subiu para 9,21% do PIB no segundo trimestre de 2026, ante 8,81% registrados no mesmo período do ano passado. Dados de finanças públicas mostram que, embora a receita nominal tenha crescido 12,41%, o avanço de 12,33% nas despesas manteve o saldo das contas no vermelho no acumulado do período.

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Na ótica por esfera de governo, a necessidade de financiamento do Governo Geral (9,21% do PIB) decorre de uma necessidade de financiamento de 9,67% do PIB do Governo Central, de 0,56% do PIB dos Governos Estaduais e de uma capacidade de financiamento de 1,02% do PIB dos Governos Municipais.

Os dados estão no Boletim de Estatísticas Fiscais do Governo Geral do 2º trimestre de 2026, divulgado nesta quinta-feira (1º) pelo Tesouro Nacional. O documento apresenta estatísticas das três esferas de governo (Governo Central, governos estaduais e municipais) consolidadas no setor Governo Geral segundo a metodologia do Manual de Estatísticas de Finanças Públicas de 2014 do Fundo Monetário Internacional (FMI) – MEFP 2014, e faz parte do esforço do Tesouro Nacional de convergência às melhores práticas internacionais.

Nessa metodologia, que permite a comparação das estatísticas fiscais do Brasil com a de outros países, as despesas são apuradas pelo regime de competência, ou seja, seu registro ocorre quando se cria uma obrigação para o governo, e não no momento do pagamento. A receita, por sua vez, é apurada pelo regime de caixa, que considera apenas os recursos efetivamente recebidos.

Receitas e despesas

A receita total do Governo Geral alcançou 40,18% do PIB no segundo trimestre de 2026, ante 38,26% do PIB no mesmo período de 2025. O aumento foi impulsionado principalmente pelo crescimento dos impostos (1,09 p.p. do PIB), das outras receitas (0,65 p.p. do PIB) e das contribuições sociais (0,19 p.p. do PIB), favorecidos pelo crescimento dos volumes de vendas e de serviços, pela expansão do volume de importações e elevação da alíquota média efetiva do Imposto de Importação, pela instituição de tributação temporária sobre as exportações de óleo bruto pela MP nº 1.340/2026, assim como pelo crescimento da massa salarial formal e a geração líquida de empregos no período.

A despesa total do Governo Geral atingiu 49,39% do PIB, registrando aumento de 2,32 pontos percentuais do PIB em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado refletiu principalmente a elevação das despesas com juros, em um contexto de taxas de juros mais elevadas e dos gastos com o uso de bens e serviços, explicado pela dinâmica das despesas associadas à manutenção e ao funcionamento da administração pública.

O investimento líquido do Governo Geral passou de 0,08% do PIB no segundo trimestre de 2025 para 0,53% do PIB em 2026, refletindo a ampliação dos investimentos públicos, especialmente em ativos fixos associados a obras e infraestrutura. O resultado foi sustentado principalmente pelos Governos Estaduais e Municipais, enquanto o Governo Central permaneceu com investimento líquido negativo no período.

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