A prévia da inflação oficial (IPCA-15) avançou 0,70% em setembro, impulsionada pelo salto de 7,42% na energia elétrica e pela alta de 2,07% no grupo Habitação. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (25) acendem o alerta no setor de bares e restaurantes, que já sente a pressão de custos operacionais mais altos e registrou subida de 0,44% na alimentação fora do domicílio.
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O cenário coloca no radar dos empresários a evolução das despesas operacionais e a capacidade de repassar eventuais aumentos aos cardápios. A energia elétrica tem impacto direto na operação de bares e restaurantes, que precisam equilibrar esse tipo de despesa com os demais custos do negócio e com a disposição do consumidor em absorver reajustes.
A dificuldade de repassar integralmente os aumentos aparece também na pesquisa da Abrasel realizada em agosto deste ano. Segundo o levantamento, 36% dos estabelecimentos não conseguiram reajustar os preços nos últimos 12 meses, enquanto 57% fizeram reajustes iguais ou abaixo da inflação. Os números mostram que, mesmo diante de um cenário de custos pressionados, uma parcela relevante dos estabelecimentos tem limitado sua capacidade de recompor despesas por meio do aumento do preço nos cardápios.
“O aumento da energia elétrica é mais um elemento de pressão sobre uma operação que já trabalha com margens bastante apertadas. Nos últimos meses, os empreendedores conseguiram repassar parte dos aumentos dos custos operacionais e dos insumos aos cardápios, mas esse movimento ainda é tímido. Existe uma preocupação em equilibrar a necessidade de recompor os custos com a capacidade de consumo dos clientes”, comenta Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.

