O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) endureceu, nas últimas semanas, o discurso contra as casas de apostas online no país. Esse movimento indica que o chefe do Executivo deve assinar, nesta sexta-feira (25), a medida provisória que pode acabar com a atuação das bets no país – ou implantar medidas que dificultem a funcionalidade das empresas.
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A assinatura está prevista para acontecer em um ato em São Paulo. O presidente antecipou, durante comício em Maceió na noite desta quinta-feira (24), que apresentará “anúncios importantes e que pretende encerrar as atividades dessas empresas antes que elas provoquem danos maiores à população”.
Na noite anterior, durante o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Lula já havia afirmado que bets transformaram “vício em lucro” e estariam “destruindo lares”.
Repercussão no mercado
Embora as falas do presidente tenham um grande apoio popular, os mercados esportivo e publicitário se mostraram preocupados com a possibilidade de banimento das casas de apostas. De acordo com a última edição do Meio & Mensagem Agências & Anunciantes, 15 dos 300 maiores anunciantes do ranking eram casas de apostas. Apenas no ano passado, essas 15 empresas ultrapassaram a marca de R$ 2,9 bilhões em compra de mídia.
Um comunicado da Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap) afirmou que ainda “não é possível dimensionar com precisão os impactos econômicos de uma eventual proibição”. No entanto, a entidade também declarou que o setor já possui um histórico de adaptação a “regras restritivas em categorias sensíveis”.
Por outro lado, a maioria dos maiores clubes se manifestou abertamente contra o possível banimento. Times como Flamengo, Vasco da Gama, Palmeiras, São Paulo e Corinthians afirmaram que a proibição causaria um enorme impacto financeiro aos clubes, além de risco de insolvência para várias equipes.
O manifesto dos clubes foi feito na semana passada através das redes sociais, após o fomento da ideia da restrição de atuação das casas de apostas. Apesar do apelo, o presidente se manteve no discurso.
“Essa não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets. Os times que aprendam a viver sem lavagem de dinheiro”, declarou.
Posicionamento das bets
Em manifesto intitulado “Nós apostamos no Brasil”, nove entidades setoriais ligadas às bets pediram diálogo e responsabilidade institucional ao Congresso Nacional e ao Poder Executivo. O documento foi entregue nesta quinta-feira (24) e aborda argumentos como perda de arrecadação, falta de segurança jurídica, perda de empregos e falta de proteção aos apostadores.
De acordo com o Estadão, as casas de apostas já contrataram um escritório de advocacia para recorrer à Justiça caso a MP seja, de fato, decretada. O argumento das empresas é que a medida seria inconstitucional.
Além disso, segundo matéria da F5, as casas de apostas que patrocinam emissoras de televisão como Globo, Rede TV! e Band já as notificaram sobre reincidência de contrato caso o presidente siga com a decisão. A reportagem também afirma que as empresas que já começaram a agir efetivamente foram Betano, Novibet, Superbet e Esportes da Sorte.
O futebol, um dos maiores espaços de discussão sobre o tema, também já foi notificado pelas empresas. Também de acordo com o Estadão, as bets que patrocinam clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro já estão notificando as equipes sobre possível rescisão imediata de contratos comerciais.
Em 2025, as casas de apostas investiram mais de R$ 1 bilhão em patrocínios em clubes brasileiros.
