Com queda média de 11,6%, os preços da batata caíram em todas as Centrais de Abastecimento (Ceasas) monitoradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em agosto, com valor médio equivalente a R$ 2,63 por quilograma.
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De acordo com dados do 9º Boletim Hortigranjeiro divulgado pelo Conab nesta terça-feira (22), as cotações da cebola e da alface também registraram recuo na maior parte das capitais pesquisadas, com quedas de 13,8% e 14,8%, respectivamente.
De acordo com o levantamento, a desvalorização dos preços da batata nos dois últimos meses, após sequência de altas observadas desde fevereiro, reflete o aumento da oferta, ainda que em patamares inferiores a julho. As maiores reduções foram identificadas em Rio Branco/AC (-46,35%), em São José/SC (-25,66%), em Curitiba/PR (-22,83%) e no Rio de Janeiro/RJ (-20,33%). Apesar dessa conjuntura, a comparação mostra que os preços permanecem em escala superior à observada no mesmo período de 2025. No ano passado, a oferta mais que suficiente do tubérculo no mercado causou tanto a queda nas cotações do produto naquele período como o desincentivo do mesmo patamar de produção em 2026.
Em alta desde março, a cebola ficou mais barata em nove das dez Ceasas que fazem parte da amostra. A oferta do produto às Ceasas em agosto manteve-se praticamente estável em relação a julho, com aumento das remessas provenientes dos principais estados produtores, com destaque para Minas Gerais e São Paulo, que juntos representaram 50% do volume comercializado nas Ceasas avaliadas. As maiores quedas na média ponderada de preços foram identificadas em Recife/PE (-25,45%), no Rio de Janeiro/RJ (-18,21%) e em Curitiba/PR (-17,32%). Em relação a 2025, ano de recuperação da produção, o preço médio ponderado da cebola tem apresentado comportamento superior, refletindo a lógica do controle da oferta pelos produtores também verificada na batata.
Para a alface, a Conab verificou redução em seis das Ceasas consideradas na pesquisa, com variações entre queda de 31,22% no Rio de Janeiro/RJ e incremento de 15,45% em Recife/PE. Embora a oferta da hortaliça tenha diminuído 4,3% em relação a julho, o volume da safra de inverno foi suficiente para atender à demanda. Além disso, as chuvas em algumas áreas produtoras não influenciaram na produção e na colheita de modo significativo.
Após declínio das cotações em julho, os valores de comercialização da cenoura mantiveram-se estáveis em agosto, com incremento de 0,88%. A raiz ficou mais barata em seis das dez Ceasas analisadas, com maiores reduções registradas em São José/SC (-29,45%), Rio de Janeiro/RJ (-18,74%) e Vitória/ES (-12,30%). As altas mais expressivas foram na Central de Abastecimento de Fortaleza/CE, com incremento de 21,99%. e em São Paulo, elevação de 10,92% na Ceagesp.
Única hortaliça a apresentar valorização na maioria dos entrepostos atacadistas, com aumento de 18,13% na média ponderada, o tomate apresentou oscilação entre queda de 55,50% em São José/SC e aumento de 38,58% em São Paulo/SP. Após o pico da safra de inverno em julho, a oferta do fruto e os volumes comercializados decresceram. A combinação de condições climáticas que interferem na maturação dos frutos contribuíram para esse cenário.
Frutas
A comercialização de frutas nas Ceasas cresceu 4,5% no último mês. O mamão ficou mais barato em 70% dos entrepostos monitorados, com média ponderada em queda de 10,9%. As capitais com reduções mais expressivas na média dos preços foram Vitória/ES (-43,74%) e São Paulo/SP (-23,20%). Em agosto, houve aumento da oferta tanto da variedade formosa quanto da papaya, elevando a disponibilidade da fruta no mercado. O cenário reflete a ampliação dos envios do sul baiano e do norte capixaba, principais regiões produtoras.
A melancia também registrou declínio de 3,24% na média ponderada. Apesar do crescimento da demanda devido ao calor, houve aumento da oferta, com destaque para o fornecimento dos estados de Goiás e Tocantins, que costumam ser as principais regiões produtoras até outubro. Mesmo com o aumento dos custos de produção, a produtividade elevada tem garantido rentabilidade aos produtores. As quedas percentuais mais expressivas na média ponderada dos valores de comercialização no atacado foram apuradas em São Paulo/SP (-9%) e Vitória/ES (-8%).
Entre as frutas analisadas, a laranja encerrou o mês de agosto com redução de 0,95% na média dos preços. A pesquisa identificou variações entre queda de 14,93% em São José/SC e aumento de 3,05% em Belo Horizonte/MG. Em relação a julho, a oferta da fruta às centrais atacadistas aumentou 1,68% no cinturão citrícola, principal região produtora do Brasil e do mundo, elevando a disponibilidade tanto no atacado quanto no varejo.
Após período de desvalorização, as cotações da maçã apresentaram incremento de 2,72% na média ponderada. O aquecimento do mercado se justifica pelo consumo gradual dos estoques das câmaras frias e aumento da comercialização. A produtividade superior da fruta na safra 2025/26 contribuiu para a ampliação da oferta das variedades fuji e gala, especialmente da produção catarinense e gaúcha. Entre as Ceasas monitoradas, a Conab apurou variações nos preços médios entre queda de 41,39% em Rio Branco/AC e aumento de 10,54% em Vitória/ES.
Embora tenha apresentado movimento declinante na média dos preços de seis das dez Ceasas avaliadas, a banana foi a fruta com maior incremento na média mensal, encerrando agosto com valorização de 4,32%. As oscilações da oferta em alguns locais e da demanda no decorrer do mês, além da qualidade das frutas, interferiram na composição dos preços. As maiores quedas percentuais foram verificadas em Rio Branco/AC (-9,5%) e Fortaleza/CE (-8,71%). No panorama mensal, a quantidade comercializada permaneceu estável nos entrepostos atacadistas.
Exportações
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de frutas e hortaliças nos primeiros oito meses de 2026 alcançaram 789 mil toneladas, volume 10,6% maior em comparação ao mesmo período de 2025. O faturamento foi de U$S 1,01 bilhões, superando em 20% o verificado no mesmo período de 2025. As vendas externas até agosto cresceram para manga (30,5%); abacates (102,5%); mamões, melancias e pêssegos (83,3%); e maçãs (254%).
Destaques
A 9ª edição do Boletim Hortigranjeiro ainda apresenta um panorama sobre a gestão de resíduos sólidos orgânicos em perspectiva da economia circular, observando as oportunidades de transformação a partir das Ceasas. O documento aborda os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e apresenta a inter-relação entre sustentabilidade e eficiência dos sistemas de produção, comercialização e abastecimento alimentar.
As informações completas sobre preços e comercialização praticados em agosto nas principais Ceasas brasileiras estão reunidas no 9º Boletim Hortigranjeiro. A análise mensal integra as ações do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort) e contempla os produtos com maior representatividade nas Ceasas e maior peso no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A base de dados Conab/Prohort reúne informações de 117 frutas e 123 hortaliças, abrangendo mais de mil produtos e suas variedades.
