A inadimplência segue em trajetória de alta na Paraíba e continua pressionando o orçamento das famílias, segundo dados de maio de 2026 do SPC Brasil. O número de consumidores com restrições no estado cresceu 4,30% em relação ao mesmo período do ano passado, embora abaixo das médias do Nordeste (6,04%) e do país (8,87%).
Em João Pessoa, o avanço foi um pouco menor, de 3,55% na comparação anual. Já na passagem de abril para maio deste ano, a capital apresentou leve recuo de 0,63% no total de negativados. Mesmo assim, o endividamento segue elevado: cada consumidor com nome restrito acumula, em média, R$ 6.023,47 em dívidas e possui cerca de 2,67 contas em atraso.
O levantamento também revela que a faixa etária entre 30 e 39 anos concentra o maior número de inadimplentes tanto no estado quanto na capital. As mulheres são maioria entre os negativados, representando 54,69% na Paraíba e 54,22% em João Pessoa.
Outro ponto de destaque é o aumento do volume de dívidas em atraso. No estado, o crescimento foi de 9,74% em relação ao ano anterior; na capital, 8,19%. Mais de 73% desses débitos estão ligados a bancos e cartões de crédito, que seguem como principais responsáveis pela restrição de crédito.
O cenário mais preocupante, no entanto, está na reincidência. Segundo o SPC Brasil, 87,39% das negativações na Paraíba em maio envolvem consumidores que já haviam sido incluídos em cadastros de inadimplência nos últimos 12 meses. Desse total, 70,36% ainda não haviam quitado dívidas antigas e voltaram a se endividar, enquanto 17,03% chegaram a regularizar a situação, mas retornaram ao cadastro de devedores após novas dificuldades financeiras.
O ciclo de endividamento também tem ocorrido em intervalos cada vez menores: entre os reincidentes, o tempo médio entre uma dívida e outra é de apenas 68 dias. No último ano, esse grupo cresceu 5,34% no estado.
Ao mesmo tempo em que cresce o número de inadimplentes, diminui a recuperação de crédito. O total de consumidores que quitaram suas dívidas e saíram dos cadastros caiu 10,08% na Paraíba, desempenho pior que o registrado no Nordeste (-8,83%) e praticamente estável no Brasil (-0,33%).
Entre os consumidores que conseguiram regularizar a situação, a maior concentração está na faixa de 50 a 64 anos (24,74%). Em média, cada pessoa que recuperou o crédito quitou R$ 2.434,87 em débitos, sendo que mais da metade (57,53%) pagou valores de até R$ 500.
Para o presidente da CDL João Pessoa, Nivaldo Vilar, os números exigem atenção conjunta entre consumidores e setor econômico. Ele destaca especialmente o impacto da reincidência e da dificuldade de recuperação financeira.
“Os dados mostram que a inadimplência continua presente na realidade de muitas famílias paraibanas. O que chama atenção é o elevado índice de reincidência e a redução no número de consumidores que conseguiram regularizar suas pendências financeiras”, avaliou. “São indicadores que refletem diretamente no poder de compra da população e no desempenho da economia”, completou.
