Apesar da percepção de que o mercado de trabalho segue aquecido no Brasil, a maioria dos trabalhadores ainda considera difícil conseguir uma vaga de emprego. É o que mostra a mais recente edição dos Indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho, divulgada nesta segunda-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).
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De acordo com o levantamento, referente ao trimestre encerrado em maio de 2026, 51,2% dos entrevistados afirmaram que está difícil ou muito difícil encontrar trabalho atualmente.
Por outro lado, 25,5% consideram que está fácil ou muito fácil conseguir emprego, percentual que representa o maior índice registrado desde o início da série histórica, em 2025.
Outros 23,3% avaliam que a situação está dentro da normalidade.
Expectativas para os próximos meses indicam cautela
Os dados também mostram cautela em relação aos próximos meses. Quando questionados sobre as perspectivas para o mercado de trabalho no próximo semestre, 37% dos entrevistados disseram acreditar que a situação deve piorar ou piorar muito.
Já 33,3% esperam estabilidade, enquanto 29,6% avaliam que haverá melhora.
FGV aponta diferença entre percepção atual e expectativa futura
Segundo o economista do FGV IBRE, Rodolpho Tobler, os resultados revelam uma diferença entre a percepção sobre o presente e as expectativas para o futuro.
“O resultado de maio da sondagem mostra duas percepções diferentes quando se analisa por horizonte temporal. Por um lado, a percepção sobre o momento presente segue melhorando, indicando um mercado de trabalho ainda aquecido. Mas, por outro lado, as pessoas têm se mostrado cada vez mais cautelosas com a manutenção desse cenário”, afirmou.
Desemprego segue baixo, mas contratações desaceleram
O especialista destaca que a taxa de desocupação permanece em patamares historicamente baixos e abaixo dos níveis observados no mesmo período do ano passado.
No entanto, já há sinais de desaceleração no ritmo das contratações.
Para Tobler, fatores como a desaceleração da atividade econômica e o aumento das incertezas no cenário macroeconômico ajudam a explicar o crescimento do pessimismo em relação ao mercado de trabalho para os próximos meses.
Sobre a pesquisa
A pesquisa faz parte da Sondagem de Mercado de Trabalho da FGV IBRE e consulta mensalmente trabalhadores de todas as regiões do país sobre temas como satisfação profissional, renda, proteção social, risco de perda do emprego e expectativas em relação ao mercado de trabalho.
