O governo da China se pronunciou nesta terça-feira (7) sobre a presença da montadora BYD na chamada “lista suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho no Brasil. O cadastro reúne empregadores responsabilizados, após decisão administrativa definitiva, por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que acompanha o caso e destacou que as empresas do país devem cumprir rigorosamente a legislação dos locais onde atuam. O governo também ressaltou que considera prioritária a proteção dos direitos trabalhistas.
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A atualização mais recente da lista adicionou 169 novos nomes, elevando o total para cerca de 613 empregadores. Do total incluído, 102 são pessoas físicas e 67 empresas. O documento é publicado duas vezes por ano, em abril e outubro, e prevê permanência de até dois anos, desde que não haja reincidência e que as irregularidades sejam sanadas.
A entrada da BYD no cadastro está relacionada a uma operação realizada em dezembro de 2024, quando 220 trabalhadores chineses foram resgatados em um canteiro de obras em Camaçari, na Bahia, onde era construída uma fábrica da empresa. De acordo com as autoridades, os operários viviam em condições precárias, com restrições de circulação, vigilância armada e retenção de documentos.
Relatórios também apontaram contratos com cláusulas irregulares, como jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal. Um dos trabalhadores ouvidos pelo Ministério Público do Trabalho da Bahia relatou que um acidente de trabalho teria sido provocado pelo cansaço acumulado.
À época, a BYD atribuiu as irregularidades à construtora terceirizada Jinjiang Construction Brazil Ltda e informou o rompimento do contrato. A empresa afirmou ainda que não tolera violações à legislação brasileira e adotou medidas emergenciais, como a transferência de parte dos trabalhadores para hotéis da região.
Em 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora e duas empreiteiras após ação civil pública que tratava de trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas. Na ocasião, a empresa declarou manter compromisso com os direitos humanos.
Procurada sobre a inclusão na lista mais recente, a BYD não havia se manifestado até a última atualização do caso.