Governo amplia “lista suja” do trabalho escravo com inclusão de 169 novos empregadores

Cadastro chega a mais de 600 nomes e revela resgate de mais de 2 mil trabalhadores em condições análogas à escravidão

Foto: Reprodução

O governo federal divulgou nesta segunda-feira (6) uma nova atualização da chamada “lista suja” do trabalho escravo, cadastro que reúne empregadores flagrados explorando trabalhadores em condições análogas à escravidão. Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos, elevando o total para cerca de 613 registros.

Entre os novos casos, predominam pessoas físicas: são 102 empregadores individuais e 67 empresas. O número representa um crescimento de 6,28% em comparação com a última divulgação.

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A lista, publicada duas vezes por ano pelo Ministério do Trabalho, em abril e outubro, tem como objetivo dar transparência às ações de combate a esse tipo de exploração. Para entrar no cadastro, é necessário que o processo administrativo seja concluído sem possibilidade de recurso. Os nomes permanecem por dois anos, podendo ser retirados apenas se não houver reincidência e se as pendências forem regularizadas.

Os setores com maior número de inclusões nesta edição foram serviços domésticos (23 casos), pecuária de corte (18), cultivo de café (12), construção civil (10) e atividades de preparo de solo e colheita (6).

As ocorrências adicionadas à lista resultaram no resgate de 2.247 trabalhadores em situação de exploração. Por outro lado, 225 empregadores deixaram o cadastro após cumprirem o período de dois anos.

Os registros abrangem casos identificados entre 2020 e 2025 em 22 estados. Minas Gerais lidera com 35 empregadores, seguido por São Paulo (20), Bahia e Paraíba (17 cada), Pernambuco (13), além de outros estados com números menores.

Entre os nomes incluídos estão o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, ambos citados em processos distintos.

No caso da BYD, a inclusão ocorreu após a descoberta, em dezembro de 2024, de 220 trabalhadores chineses em condições precárias durante a construção de uma fábrica em Camaçari (BA). Segundo as investigações, os trabalhadores viviam em alojamentos inadequados, eram vigiados por seguranças armados e tinham seus passaportes retidos. Também foram identificadas jornadas exaustivas e ausência de descanso semanal.

À época, a empresa afirmou que as irregularidades foram cometidas por uma construtora terceirizada e informou o rompimento do contrato. Em 2025, um acordo de R$40 milhões foi firmado com o Ministério Público do Trabalho da Bahia.

Já Amado Batista aparece em duas autuações relacionadas a propriedades rurais em Goiás, envolvendo 14 trabalhadores. A assessoria do artista nega irregularidades, afirmando que não houve resgate e que todos os funcionários estão devidamente registrados. Segundo a defesa, problemas identificados estavam ligados a uma empresa terceirizada e foram resolvidos por meio de um Termo de Ajuste de Conduta.

A inclusão na “lista suja” ocorre após fiscalização conduzida por auditores do trabalho, que podem atuar em conjunto com órgãos como Ministério Público, Polícia Federal e Defensoria Pública. Quando são constatadas irregularidades, é aberto um processo administrativo, garantindo direito à defesa.

Além disso, uma portaria publicada em 2024 passou a permitir a retirada antecipada da lista em casos específicos, desde que o empregador firme acordo, indenize as vítimas e invista em ações de apoio aos trabalhadores. Nesses casos, os nomes migram para um cadastro separado, mas podem retornar à lista principal em caso de descumprimento.

Criado em 2004, o cadastro já enfrentou períodos de suspensão, mas teve sua legalidade confirmada pelo Supremo Tribunal Federal. Desde 1995, mais de 68 mil trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no país, com mais de R$ 160 milhões pagos em direitos trabalhistas.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Sistema Ipê, plataforma digital voltada exclusivamente para registrar casos suspeitos e auxiliar na atuação da fiscalização.

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