Enquanto o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel provoca instabilidade no mercado internacional de petróleo, o Brasil atravessa o cenário com maior resiliência. Um dos principais fatores é o uso consolidado do etanol, biocombustível derivado da cana-de-açúcar que funciona como alternativa direta à gasolina.
A ampla frota de veículos bicombustíveis, capaz de operar com qualquer proporção entre gasolina e etanol, permite que milhões de motoristas adaptem o consumo conforme os preços. Esse modelo, iniciado em 1975, reduziu ao longo das décadas a dependência de combustíveis fósseis importados.
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Atualmente, o país mantém relativa estabilidade nos preços: a gasolina teve alta de cerca de 5% em março, bem abaixo dos 30% registrados nos Estados Unidos.
Segundo Evandro Gussi, presidente da UNICA, o Brasil possui uma vantagem estratégica ao contar com uma alternativa viável ao petróleo. A expectativa é de que a próxima safra de cana-de-açúcar, iniciada em abril, alcance produção recorde de 30 bilhões de litros de etanol, volume superior ao total de gasolina importada pelo país no último ano.
Mesmo sendo exportador de petróleo bruto, o Brasil ainda depende de importações para suprir a demanda por combustíveis refinados, com compras vindas de países como Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Guiana.
O etanol, porém, já ocupa papel central no consumo interno. Em 2025, foram comercializados mais de 37 bilhões de litros, consolidando o biocombustível como uma alternativa econômica e acessível nos postos de combustíveis.
Grande parte desse sucesso está ligada à produção concentrada em São Paulo, aliada a investimentos contínuos em pesquisa. Centros como o da Unicamp desenvolvem tecnologias que garantem eficiência tanto na produção quanto no uso nos veículos.
Apesar dos avanços, o país ainda enfrenta desafios no diesel. Diferentemente da gasolina, o combustível depende mais de importações e possui menor participação de biocombustíveis, atualmente em torno de 14%. Com isso, os preços subiram mais de 20% em março.
Diante da pressão, o governo federal estuda medidas para conter os impactos, incluindo subsídios à importação. A preocupação é evitar efeitos em cadeia, como aumento no custo dos alimentos e possíveis paralisações de caminhoneiros.
O cenário também desperta interesse internacional. Países como México e Índia avaliam adotar o modelo brasileiro como referência em segurança energética, especialmente em um contexto de instabilidade global.