Diesel S10 dispara 25% em março e já ultrapassa R$ 8 nos postos, aponta IBPT.

(Foto: Shutterstock)

Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) revelam que o preço médio dos combustíveis vendidos aos postos mantém a tendência de alta nesta segunda quinzena de março. Com base em um mapeamento robusto de 257 mil notas fiscais, o estudo destaca o diesel como o principal motor desse aumento.

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Na primeira semana de março, o diesel já apresentava elevação relevante, com altas médias próximas de 9%. Na segunda semana, esse movimento se intensificou, superando 19% em algumas variações. Agora, no consolidado até o dia 23, o Diesel S10 comum acumula alta média nacional de aproximadamente 24,98%, com acréscimo superior a R$ 1,25 por litro nas distribuidoras, evidenciando uma escalada contínua ao longo do mês.

O comportamento reforça que o aumento não está mais associado a eventos pontuais, mas a uma recomposição estrutural de preços no setor.
Segundo Gilberto Luiz do Amaral, Coordenador de estudos e presidente do Conselho Superior do IBPT, o cenário já configura um impacto sistêmico na economia. “O diesel se consolidou como o principal vetor de pressão inflacionária neste mês. Como ele está diretamente ligado ao transporte de cargas, qualquer variação relevante tem efeito imediato sobre toda a cadeia produtiva, impactando desde o agronegócio até o consumidor final.”

A análise regional mostra que o aumento segue disseminado em todo o território nacional, com destaque para Centro-Oeste e Nordeste, que lideram as variações mais expressivas. No Centro-Oeste, o Diesel S10 comum chegou a subir mais de 30% no período, enquanto no Nordeste as altas também se aproximam desse patamar, reforçando o caráter generalizado da pressão.

Além disso, os dados indicam que o preço praticado pelas distribuidoras vem sendo rapidamente repassado aos postos. Em diversas regiões, o diesel já ultrapassou a marca de R$ 8,00 por litro no varejo ao longo do mês, evidenciando que a pressão de custos já alcançou o consumidor final.

Para o Diretor do IBPT Carlos Alberto Pinto Neto, o comportamento do mercado indica uma dinâmica de repasse praticamente integral. “O que observamos é uma transmissão direta da alta do atacado para o varejo. Mesmo com alguma compressão de margem em determinados momentos, especialmente no diesel, o repasse ocorre porque os custos não são mais absorvíveis ao longo da cadeia.”

A gasolina também mantém trajetória de alta, embora em ritmo inferior ao diesel. Após subir cerca de 2% na primeira semana e ultrapassar 5% na segunda, o combustível registra agora avanço médio próximo de 9% no acumulado do mês, com picos superiores a 13% em regiões como o Nordeste.

O movimento indica um efeito de contágio, ainda que concentrado principalmente no diesel, que segue como principal vetor de pressão. Diferentemente das semanas anteriores, quando o etanol apresentava queda ou estabilidade, o combustível também passou a registrar leve alta no consolidado do mês, com variação média de 1,39% no Brasil.

Embora ainda represente o combustível com menor volatilidade, o etanol deixa de atuar como principal válvula de escape para o consumidor, reduzindo alternativas de mitigação do impacto.

O levantamento do IBPT também indica que medidas como a isenção de PIS e Cofins sobre o diesel tiveram efeito limitado. O reajuste de preços ao longo da cadeia, somado à volatilidade internacional do petróleo, acabou neutralizando os impactos da desoneração.

“O mercado reagiu de forma mais intensa do que as medidas de alívio fiscal. Isso mostra que o problema não está apenas na carga tributária, mas na dinâmica estrutural de formação de preços e na dependência externa do setor”, avalia Amaral.

Com a consolidação da alta, os efeitos sobre a economia tornam-se mais evidentes. O aumento do diesel impacta diretamente o custo do frete, pressionando preços de alimentos, insumos industriais e bens de consumo.

Setores como agronegócio, indústria e transporte rodoviário já enfrentam dificuldades para absorver aumentos que, em algumas regiões, ultrapassam 30%, o que tende a gerar efeito cascata nos preços ao consumidor.

O estudo faz parte do monitoramento contínuo realizado pelo IBPT, que acompanha semanalmente o comportamento dos preços nas distribuidoras com base em dados reais de mercado. A evolução observada ao longo de março indica que a pressão sobre os combustíveis não apenas persiste, como se intensifica, sinalizando a continuidade desse cenário nas próximas semanas.

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