Caminhoneiros suspendem paralisação nacional e mantêm estado de greve por mais sete dias

Categoria aguarda avanço nas negociações com o governo após publicação de medida provisória sobre frete e diesel; nova rodada de diálogo está prevista para a próxima semana

Foto: Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Arquivo Agência Brasil

Depois da assembleia realizada em Santos (SP) decidir não iniciar paralisação nacional e dar prazo de sete dias ao governo federal, foram divulgadas notas de entidades ligadas aos caminhoneiros em apoio à Medida Provisória nº 1.343/2026 e ressaltaram que o estado de greve está mantido até o fim das negociações sobre pontos da pauta da categoria ainda pendentes. Foi confirmado pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), que representantes dos caminhoneiros serão recebidos por ele na semana que vem, em uma nova etapa das tratativas abertas depois da publicação da medida.

A decisão que foi tomada na sede do Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santistas (Sindicam), em Santos, não acabou com o movimento, porém levou para a próxima semana uma nova avaliação sobre a possível paralisação. 

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Em sua fala, o presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci, disse que “está mantido o estado de greve”. De acordo com ele, a maior parte dos participantes da assembleia desejava parar, porém aceitaram esperar mais sete dias. “Se em sete dias o governo não resolver a situação e não der um sinal positivo para as pautas, eles vão parar”, ressaltou.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), divulgou em nota que a paralisação nacional está “por enquanto, suspensa” e concedeu a decisão à publicação da MP nº 1.343/2026. O presidente da confederação, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, afirmou que os caminhoneiros agiram com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao evitar a paralisação.

 A entidade afirmou também que permanecerá negociando com o governo outras pautas da categoria, que poderão ser apresentadas por meio de emendas à medida provisória.

Em nota, a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também ressaltou que a greve geral está suspensa até nova reunião com o governo na semana que vem. A associação associou a decisão às medidas publicadas nos dias 12 e 19 de março sobre diesel, frete e fiscalização do piso mínimo. De acordo com a associação, a suspensão do movimento está ligada ao avanço das negociações e ao atendimento das reivindicações ainda pendentes.

Durante a assembleia, o presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, afirmou que a avaliação das lideranças foi de manter a negociação aberta depois da publicação da MP. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, ressaltou.

A MP nº 1.343/2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), autoriza à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário. 

A proposta prevê penalidades que variam de R$1 milhão a R$10 milhões por operação para empresas que não cumprirem a tabela. Em casos de reincidência, as transportadoras poderão ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso de forma cautelar ou até mesmo a autorização cancelada por um período de até dois anos. Além disso, o governo federal editou o Decreto nº 12.883/2026, que estabelece critérios para a definição do preço de referência do diesel.

Em Santa Catarina, caminhoneiros vinculados à Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC) chegaram a anunciar uma paralisação a partir do meio-dia de ontem, mas o movimento foi encerrado no fim da tarde, segundo o presidente da entidade, Sérgio Pereira. Antes disso, a Justiça Federal havia determinado a proibição de bloqueios nas BRs 101 e 470, além dos acessos aos portos de Itajaí e Navegantes. O descumprimento da decisão poderia resultar em multa de R$ 10 mil para pessoas físicas e R$ 100 mil para pessoas jurídicas.

 

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