Antes de se consolidar como uma alternativa de crescimento econômico, o nanoempreendedorismo feminino no Brasil, especialmente no Nordeste, tem funcionado como uma resposta direta à vulnerabilidade social e à falta de oportunidades no mercado formal. É o que aponta a pesquisa “Nanoempreendedoras em Foco”, do Consulado da Mulher, em parceria com a Vert.se e a Be.Labs, que analisou o perfil e as condições de trabalho de 707 mulheres em 22 estados.
Embora o Sudeste concentre a maior parte das entrevistadas (51%), o Nordeste aparece com cerca de 15% da amostra, percentual que, segundo o estudo, mostra desigualdades regionais importantes, sobretudo no acesso à formalização e a recursos financeiros .
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Na prática, o cenário nordestino é marcado por maior vulnerabilidade. Dados da pesquisa mostram que, no Norte e Nordeste, a informalidade atinge cerca de 70% das nanoempreendedoras. Isso ocorre, principalmente, por fatores como falta de informação, custo fixo e insegurança sobre a estabilidade da renda.
No levantamento, 68% das mulheres afirmam ter iniciado o negócio por falta de emprego, em muitos casos, o objetivo não é expandir, mas garantir a subsistência familiar. Apesar das dificuldades, o perfil das nanoempreendedoras contraria estereótipos. A pesquisa aponta que essas mulheres têm, em geral, escolaridade acima da média nacional, 42% possuem ensino superior completo ou em andamento, o que indica que o problema não está na qualificação, mas na falta de condições para permanência no mercado formal .
Ainda assim, a renda permanece baixa. Cerca de 92% dos negócios faturam até R$ 5 mil por mês, sendo que quase metade não ultrapassa R$ 1 mil mensais . Outro ponto crítico é o acesso a crédito. Embora 42% das entrevistadas tenham tentado financiamento como pessoa física, apenas 6% buscaram crédito como pessoa jurídica.
A sobrecarga de trabalho também é um fator central. A maioria dessas mulheres concilia o negócio com responsabilidades domésticas intensas: quase metade dedica mais de cinco horas diárias ao cuidado da casa e da família . Essa dupla jornada limita o tempo disponível para investir no crescimento do empreendimento.
Além disso, a pesquisa aponta impactos diretos na saúde. Cerca de 60% das nanoempreendedoras relatam já ter enfrentado problemas de saúde mental, como ansiedade e estresse, muitas vezes associados à instabilidade financeira e à sobrecarga de responsabilidades .
Mesmo diante desse cenário adverso, a maioria das mulheres expressa interesse em expandir os negócios no futuro, porém esbarram em barreiras estruturais como falta de políticas públicas efetivas, dificuldade de acesso à informação e ausência de redes de apoio mais amplas.
Hoje, mais de 70% das entrevistadas afirmam não conhecer políticas públicas voltadas ao empreendedorismo feminino.