O custo da cesta básica em João Pessoa continua impactando de forma significativa o orçamento das famílias. Em fevereiro, um trabalhador que recebe salário mínimo precisou comprometer 41,26% da renda líquida para adquirir os alimentos básicos na capital paraibana, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
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Além do peso no bolso, o estudo também revela o impacto no tempo de trabalho. Na capital paraibana, são necessárias 83 horas e 58 minutos de jornada mensal para garantir a cesta básica, o que representa mais da metade de um mês de trabalho considerando uma carga horária padrão.
Apesar de ainda elevado, o percentual registrado em João Pessoa está abaixo da média nacional, que foi de 46,13%, e distante das capitais com maior comprometimento de renda, como São Paulo, onde o custo da alimentação consome 56,88% do salário mínimo. Ainda assim, o cenário mostra que uma parcela significativa da renda do trabalhador é destinada apenas à alimentação.
Percentual do salário mínimo gasto com alimentação (por capital)
São Paulo — 56,88%
Rio de Janeiro — 55,15%
Florianópolis — 53,19%
Cuiabá — 52,94%
Porto Alegre — 52,48%
Campo Grande — 52,04%
Vitória — 50,36%
Curitiba — 49,72%
Belo Horizonte — 49,14%
Goiânia — 48,77%
Brasília — 47,49%
Palmas — 46,37%
Fortaleza — 46,22%
Belém — 44,96%
Macapá — 44,07%
Boa Vista — 43,96%
Teresina — 43,26%
Rio Branco — 42,14%
São Luís — 42,07%
Manaus — 41,94%
João Pessoa — 41,26%
Salvador — 41,21%
Natal — 41,14%
Recife — 40,81%
Maceió — 40,28%
Porto Velho — 40,13%
Aracaju — 37,54%
Em comparação com outras capitais do Nordeste, João Pessoa apresenta índices próximos aos de cidades como Salvador (41,21%) e Natal (41,14%), mas superiores aos registrados em Recife (40,81%) e Maceió (40,28%). Já Aracaju apresenta o menor comprometimento do país, com 37,54%.
Tempo de trabalho necessário para comprar a cesta básica (por capital)
São Paulo — 115h45
Rio de Janeiro — 112h14
Florianópolis — 108h14
Cuiabá — 107h44
Porto Alegre — 106h47
Campo Grande — 105h54
Vitória — 102h57
Curitiba — 101h11
Belo Horizonte — 100h01
Goiânia — 99h16
Brasília — 96h38
Palmas — 94h22
Fortaleza — 94h03
Belém — 91h29
Macapá — 89h41
Boa Vista — 89h28
Teresina — 88h02
Rio Branco — 85h45
São Luís — 85h30
Manaus — 85h21
João Pessoa — 83h58
Salvador — 83h52
Natal — 83h43
Recife — 83h04
Maceió — 81h58
Porto Velho — 81h40
Aracaju — 76h23
O levantamento considera o salário mínimo já com desconto de 7,5% referente à contribuição previdenciária e inclui dados de todas as 27 capitais brasileiras.
Outro dado que reforça a pressão sobre o custo de vida é a estimativa do salário mínimo ideal para suprir as necessidades básicas de uma família. Em fevereiro, esse valor deveria ser de R$ 7.164,94, cerca de quatro vezes superior ao piso atual, fixado em R$ 1.621.