Inflação acelera em fevereiro com alta de mensalidades escolares e passagens aéreas

IPCA sobe 0,70% no mês, acima das previsões do mercado; em 12 meses índice desacelera para 3,81%, segundo o IBGE

Foto: Reprodução

A inflação oficial do país registrou aceleração em fevereiro e ficou acima do esperado por analistas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,70% no mês, após alta de 0,33% em janeiro, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O resultado superou a projeção de economistas consultados pela Reuters, que estimavam alta de 0,65%. Ainda assim, o índice acumulado em 12 meses apresentou desaceleração e passou de 4,44% em janeiro para 3,81% em fevereiro.

A principal pressão inflacionária veio do grupo Educação, que registrou alta de 5,21% no mês. O aumento foi puxado principalmente pelos reajustes típicos do início do ano letivo, com destaque para os cursos regulares. Entre os subitens com maiores variações estão o ensino médio, que subiu 8,19%, o ensino fundamental, com alta de 8,11%, e a pré-escola, que avançou 7,48%.

Outro fator que contribuiu para a aceleração da inflação foi o aumento das passagens aéreas. O grupo Transportes teve alta de 0,74%, impulsionado pela elevação de 11,40% nas tarifas aéreas, influenciadas pela demanda do período de férias e do Carnaval.

Somados, os grupos Educação e Transportes responderam por cerca de 66% do resultado do IPCA em fevereiro. De acordo com o IBGE, se a pressão da Educação fosse desconsiderada, a inflação do mês teria sido de 0,41%.

Por outro lado, alguns itens ajudaram a conter a alta dos preços. Os combustíveis registraram queda média de 0,47%, com recuos na gasolina (-0,61%) e no gás veicular (-3,10%). A redução ocorre após a Petrobras ter anunciado, no fim de janeiro, um corte de 5,2% no preço da gasolina A vendida às distribuidoras.

No grupo Alimentação e bebidas, os preços subiram 0,26% em fevereiro. Entre os produtos com maiores aumentos estão o açaí (25,29%), o feijão-carioca (11,73%), o ovo de galinha (4,55%) e as carnes (0,58%).

O índice de difusão, indicador que mede a proporção de produtos com aumento de preços, recuou para 61% em fevereiro, ante 64% no mês anterior, indicando menor espalhamento das altas.

Os dados foram divulgados a poucos dias da próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, marcada para os dias 17 e 18 de março. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 15%.

Apesar da aceleração no mês, analistas avaliam que o processo de desaceleração da inflação ainda segue em andamento. Economistas, porém, acompanham com atenção os possíveis impactos do aumento do preço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio.

A meta contínua de inflação definida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Segundo a mais recente edição do relatório Focus do Banco Central, que reúne projeções do mercado financeiro, a expectativa é que o IPCA encerre 2026 com alta de 3,91% e desacelere para 3,80% em 2027.

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