Pesquisa Datafolha aponta que mulheres são menos confiantes no planejamento de longo prazo

(Foto: Reprodução)

Uma nova pesquisa da Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), executada pelo Datafolha, acende um alerta sobre a relação das mulheres com o dinheiro. O levantamento indica que, no Brasil, o público feminino demonstra menor segurança e planejamento de longo prazo em comparação aos homens. Por outro lado, o estudo destaca que as mulheres são mais vigilantes quando o assunto é garantir estabilidade e proteção financeira imediata.

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Os dados mostram que 51% das mulheres entrevistadas se sentem insatisfeitas com sua condição financeira, ante 40% dos homens entrevistados. Quando o tema é planejamento, a diferença também aparece: 65% dos homens afirmam ser planejados (razoável, muito ou extremamente), enquanto entre as mulheres, o índice cai para 53%.

A diferença se acentua na capacidade de constituir reservas financeiras. Quatro em cada dez brasileiros (43%) não têm dinheiro guardado para emergências e, desse grupo, 62% são mulheres. Entre os que conseguem poupar, quase metade afirma que a reserva não sustentaria mais do que um ano.

Para Paula Bazzo, planejadora CFP pela Planejar, “a insegurança financeira feminina não está ligada apenas à renda, mas também ao acesso à informação qualificada e à confiança para tomar decisões de longo prazo. Falar de planejamento financeiro é falar de autonomia, de proteção e de futuro. Quando fortalecemos a educação financeira das mulheres, fortalecemos também as famílias e a economia como um todo.”

Confiança menor para grandes decisões

A pesquisa ainda evidencia diferenças relevantes na confiança financeira para alcançar projetos de vida.

Para realizar uma viagem dos sonhos, 51% dos homens se dizem confiantes financeiramente, ante 37% das mulheres.

Na compra ou troca de veículo, o padrão se mantém: 46% deles demonstram segurança, frente a 35% delas.

No empreendedorismo, a distância é ainda maior: 47% dos homens se sentem confiantes para abrir um negócio próprio ou se tornar sócios, enquanto entre as mulheres o percentual cai para 32%.

O retrato se torna mais sensível na aposentadoria. Entre os já aposentados, 46% das mulheres afirmam ter precisado cortar gastos, contra 39% dos homens. Além disso, uma em cada cinco aposentadas (20%) declara não receber renda suficiente para se sustentar, percentual superior ao registrado entre eles (16%).

Controle financeiro

Apesar dos desafios, a maioria das mulheres, assim como os homens, utiliza algum mecanismo de controle financeiro. A pesquisa aponta que 89% dos brasileiros utilizam ao menos uma forma de registro de gastos, sendo as anotações em caderno (45%) e planilhas em computador ou celular (35%) as mais comuns.

Ainda assim, o acesso à orientação especializada permanece limitado: apenas 2% dos entrevistados já contrataram um planejador financeiro, embora 49% afirmam que consideraram fazê-lo.

Para a Planejar, os dados mostram que gênero ainda é um fator determinante na percepção de segurança financeira. De acordo com Ana Leoni, CEO da Planejar, “O estudo mostra que ampliar o acesso à educação financeira e ao planejamento estruturado pode fortalecer a autonomia financeira das mulheres, gerando impacto direto nas famílias brasileiras já que elas muitas vezes assumem a responsabilidade financeira de seus lares e muitas vezes recebem salários menores do que o dos homens. O levantamento realizado em 2025, ouviu 2 mil pessoas com 18 anos ou mais, das classes A, B e C, com acesso à internet, em todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

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